Acompanhamos nas últimas semanas toda a mídia voltada para uma cantora amadora que apareceu no famoso programa Britain's Got Talent, Susan Boyle. Um dos vídeos mais acessados no Youtube, com mais de 100 milhões de visualizações! Impressionante não? E não foi nenhum tipo de pronografia, é o tchan ou banheira do Gugu. Música, cultura!
Essa semana apareceu uma nova surpresa no mesmo programa. Um garoto de 12 anos, chamado Shaheen Jafargholi. Impressionante como aceitam um menino, em plena puberdade, mudança de voz, para cantar em tais concursos. Quando se é pequeno, consegue-se um sucesso para o público infantil, já quando cresce, poucos mantém o sucesso, e inclusive não mantém a mesma performance anterior.
A apresentação dele pode ser visto nesse link, vale a pena ver tudo (travaram o embed desse vídeo):
Shaheen Jafargholi inicia sua apresentação cantando Valerie, de Amy Winehouse. Grande desafio comparar a tanto talento. Simon Cowell, líder do programa, grande produtor musical, idealizador também do American Idol, que já lançou grandes talentos como Kelly Clarkson e Jennifer Hudson, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, solicita uma pausa na apresentação.
Como viram no vídeo do garoto prodígio, Simon solicita uma nova apresentação, já que Shaheen "parecia" ter escolhido a canção errada. O garoto então propõe Who's loving you, de Michael Jackson, então Jackson 5.
Não se assustem! É realmente o Michael Jackson!
Mas aí vai minha pergunta! Simon Cowell, talento indiscutível em descobrir talentos. Shaheen, mostrou que tem talento logo no início, com a música de Amy Winehouse.
1) Simon viu que o garoto tinha talento e pediu que trocasse de música? Honras para Simon? Realmente ele é bom?
2) A música Valerie tem uma letra não adequada para um garoto de 12 anos cantar em rede "global"?
3) TV É TUDO COMBINADO???
Tentei buscar alguma matéria na internet que tratasse desse assunto, mas tudo muito superficial. Os comentários mais interessantes estão nos vídeos do Youtube.
Julgar pela aparência é a primeira ação da maioria das pessoas ao observar ou conhecer alguém. Muitas vezes (quase todas) elas se enganam. Claro que existem pessoas e pessoas e formas e formas de julgar uma pessoa. Essa primeira impressão que temos das pessoas muitas vezes envolve preconceito e são baseadas não só nas idéias pessoais, mas também no contexto (lugar, situação, etc.) em que a pessoa aparece na nossa frente.
Para manter a linha editorial do blog segue o exemplo:
Quem vê em um buteco um menino cheinho, bêbado, às 4 da manhã, com os cabelos enrolados já vencendo a batalha contra o gel e pulando de forma caótica para fora do "penteado", gesticulando as mãos de forma estranha enquanto fala e com babinhas acumuladas nos cantos da boca, o que pensaria dessa pessoa?
Com certeza não diria: "Esse é um cara inteligente que está discutindo um assunto interessante com seus amigos super legais e aquela conversa possui um significado profundo para a vida deles". Essa pessoa pensaria provavelmente algo do tipo: "Olha um gordinho bêbado falando besteira com os amigos alcoólatras, os caras não tem nada melhor para fazer num sábado de madrugada do que sentar numa mesa só homem e ficar discutindo assuntos que nem vão lembrar amanhã."
Mas o que eu queria falar aqui é sobre Susan Boyle, inglesa de 47 anos, gordinha e feia. Ela foi participar do "Britains Got Talent 2009", uma espécie de "American Idol" ou "Ídolos", só que da Inglaterra. O padrão nesses programas é os jurados que avaliam os participantes serem bastante irônicos, sarcásticos e zuarem geral os participantes, seja por causa da aparência, roupa ou performance. Tudo bem que uns cantam bem mal mesmo ou imploram para ser zuados como é o caso do vídeo abaixo:
Mas voltando ao caso de Susan Boyle, ela foi participar do programa e Simon, um dos jurados travou com ela o seguinte diálogo antes dela começar a cantar (tradução aproximada):
Simon: Qual é o seu nome querida?
Susan: Meu nome é Susan Boyle.
Simon: Ok, Susan de onde você é?
Susan: Eu sou de Blackburn, West Lothian
Simon: É uma cidade grande?
Susan: É tipo um conjunto de... um conjunto de... de vilas.
(platéia começa a rir)
Simon: E quantos anos você tem Susan?
(alguém da platéia manda um assobio pra Susan)
Susan: Eu tenho 47.
(Susan rebola e faz uma piadinha que eu não consegui entender, platéia ri)
Simon: Ok, qual é seu sonho?
Susan: Eu estou tentando ser uma cantora profissional.
(mais risos e caras de descrédito na platéia)
Simon: E por que não deu certo até agora Susan?
Susan: Eu não tive a chance até agora e espero que isso vá mudar.
Simon: E você gostaria de ser tão famosa quanto quem?
Susan: Aileen Page. (não tenho certeza que foi esse nome que ela falou e não sei quem é...)
Simon: Aileen Page...
(Simon fala em tom de quem não botou muita fé, e a platéia sussurra demonstrado a mesma impressão)
A apresentação dela, incluindo esse diálogo ai em cima pode ser visto nesse link, vale a pena ver tudo (travaram o embed desse vídeo):
Os comentários dos jurados depois que ela termina de cantar já falam muita coisa. A mulher virou celebridade instantânea no mundo inteiro e mudou a impressão de muita gente, inclusive a que eu tive quando comecei a ver o vídeo.
Trecho tirado daqui onde vi pela primeira vez o nome Susan Boyle:
"Susan nunca teve um namorado. Cresceu, envelheceu e teve na música o seu único alento na vida. Porém, com problemas de auto-estima, nunca apostou em seu talento natural. Inscreveu-se, enfim, para participar do Britain's Got Talent dois anos após a morte de Bridget, sua mãe, em 2007. Ela era fã do programa e dizia que, se um dia Susan fizesse sua inscrição no reality show, seria vencedora. Disse Boyle: "Eu nunca acreditei que era boa o suficiente. Foi só após a morte de minha mãe que tomei coragem para fazer minha inscrição. Foram tempos difíceis, sofri de depressão e ansiedade. Mas após a escuridão vem a luz. Queria que minha mãe tivesse orgulho de mim, e a única maneira de fazer isso foi correndo o risco de participar do show"."
É uma história bonita e acho que dá pra tirar uma lição dela. Pelo menos como exercício de reflexão vale. Recomendo a leitura do post do Pensar Enlouquece que foi o melhor sobre o assunto que encontrei.
Um vídeo (indicação do Não Tomo Toco), de introdução:
E agora o desafio:
Um carro trafegava por uma estrada em linha reta, com uma velocidade de 216Mph. De repente o motorista avista uma vaca no meio da pista. Ele aciona os freios quando se encontra exatamente a 1,5 milhas de distância da vaca e consegue parar a exatamente 0,78 pés de distância da vaca. Calculem então.
Nos todos já vimos àqueles comerciais super bem produzidos de grandes multinacionais como a Coca Cola, Nike ou senão os sempre divertidos comerciais de gigantes marcas de cerveja, ou os antigos, mais nem por isso desprezáveis, comerciais de cigarros como os do famoso Cawboy da Malboro, ou mesmo aqueles comerciais do Free, com aquelas frases tipo “um raro prazer”r e por aí vai… Realmente todas as grandes marcas e empresas se utilizam do sempre criativo e infinito artifício do comercial televisivo, que muitas vezes de tão bem feito consegue mudar a visão da marca. Quem não se lembra do Experimenta….Ou mesmo, inusitadamente difundir uma musica e por conseqüência uma banda antes pouco conhecida no país inteiro, como a inevitável associação que existe entre ”Fake Plastic Trees” do Radiohead e o inesquecível comercial do Carlinhos no Carrossel. Bem, disso todos já sabiam, mas é importante lembrar do poder dos comerciais e principalmente, do poder desse artifício sobre uma sociedade exageradamente materialista como a americana….Por que disse tudo isso? Pois quando se imagina que já se viu de tudo, fui surpreendido com o vídeo da maior multinacionais de todas que, agora se utilizando das estratégias publicitárias para reconquistar clientes em um mercado disputado e muito, mais muito lucrativo….o mercado da fé. Vejam o vídeo abaixo e tirem suas conclusões (rolem a tela até mais embaixo):
Um homem tinha um gatinho chamado Tido, que morava em um cesto.
Um belo dia ele chegou em casa e tido tinha sumido.
O nome do filme ta ai em cima, e uma tecnologia de espantar, ai embaixo:
O governo brasileiro, por meio da receita federal, recentemente elevou o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) do cigarro. A carga tributária sobre o produto é agora de 65%, mas através de outros impostos a incidência real de taxas sobre o cigarro é de 200%, ou seja, 2 terços do preço de um maço. A justificativa é de que a maior arrecadação seria usada para o combate a doenças relacionadas ao fumo, que não são poucas.
Bacana a iniciativa e, se a for mesmo para tratar dos doentes do SUS (nesse tempo de crise a arrecadação do governo diminuiu muito, assim, para que esse dinheiro seja usado na manutenção de um estado imenso e ineficiente, não custa. Essa, porém, é outra discussão.), muito válida.
É óbvio que fumar faz mal e que os não fumantes são vítimas de certo egoísmo quando os fumantes acendem seus cigarros em lugares fechados. O cigarro então tem mesmo que ser muito taxado e caro, apesar de que isso aumenta o tráfico de cigarros falsificados, que são muito piores aos pulmões. Mas a discussão que não está na mídia é sobre o fato de outras substâncias prejudiciais continuarem sendo muito baratas e acessíveis a todos.
O álcool, por exemplo, cheio de propagandas com mulheres gostosas e em geral pessoas bonitas bebendo e sendo cada vez mais felizes, não é tão crucificado quanto o cigarro. E dirigir bêbado é uma causa imensa de mortes, principalmente entre jovens, sem contar os que ficam deficientes e as pessoas que são atropeladas nas calçadas ou atingidas em seus carros que também podem sofrer seqüelas para toda a vida.
Para fazer um paralelo, aqui na Suécia bebidas alcoólicas com mais de 3,5% em volume só podem ser vendidas em lojas especializadas do governo. Isso para que o dinheiro seja revertido para propagandas contra o consumo excessivo e no tratamento de pessoas que tenham se acidentado ou sido vítimas de bêbados.
Não quero ser hipócrita e dizer que prefiro o sistema daqui, porque é extremamente caro e as lojas fecham cedo sextas e sábados e não abrem domingos, além de não existir a menor condição de isso funcionar no Brasil, mas pelo menos é preciso que se discuta maneiras de diminuir o consumo excessivo e as vendas de bebidas indiscriminadamente. A lei seca foi um bom começo, mas não muito efetivo porque o álcool continua muito barato e acessível.