Acabo de voltar de uma viagem a Tallinn, para aqueles que andam atrasados com a geografia, é a capital da Estônia, país pouco conhecido até para os europeus. As razões da viagem foram o preço, a oportunidade de conhecer um país completamente diferente e o fato de termos ido de barco, experiência inédita também.
É muito interessante e européia essa idéia mínima (no sentido de espaço físico e quantidade de habitantes) de nação. A Estônia tem 1,5 milhão de habitantes que falam estoniano, uma mistura de húngaro e línguas eslavas (finlandês principalmente), segundo os guias turísticos (obviamente não entendi uma palavra). É o último país dos três estados bálticos (para aqueles mais atrasados ainda com a geografia são Estônia mais ao norte, Letônia no meio e Lituânia mais ao sul).

parte consevada dos muros construídos há 800 anos
A civilização estoniana existe documentalmente há mais de dois mil anos, porém como nação independente a história da Estônia é bem recente. Aconteceu que por ser realmente mínima e com poucos habitantes sempre houve alguém para dominar a “última esquina” da Europa quando os estados nacionais se formaram.
Inicialmente foram os suecos que tomaram a região no sec. XIV. Depois príncipes germânicos marcharam com seus exércitos e se tornaram os líderes, porém os suecos conseguiram novamente obter a região em outra guerra, o que, segundo o guia turístico foi bom pois as primeiras escolas e universidades foram estabelecidas. Por fim o império czarista russo conquistou a região, que permaneceu como russa até o fim da primeira guerra mundial, já que a Rússia também havia passado pela Revolução.
A independência da Rússia, porém durou apenas pouco mais de duas décadas, pois após a segunda guerra mundial a União Soviética invade de novo a Estônia e impõe o sistema uni partidário com os comunistas ligados à Moscou no poder.
Com o fim da URSS a Estônia foi um dos primeiros países a se declarar independentes e ser reconhecida como nação pelos demais países do mundo. O período soviético foi muito ruim para a maioria dos estonianos, segundo o guia a economia do país era comparável à da Finlândia no fim da Segunda Guerra, além das milhares de pessoas massacradas pelo regime, dentre elas o então presidente estoniano, que foi exilado na Sibéria e morreu em um campo de trabalho alguns anos depois. Os russos também modificaram bastante a etnia local já que milhares de novos trabalhadores russos foram levados à Estônia, fazendo com que atualmente 30% da população seja russa ou de ascendência russa.
Em 2004 o país passou a fazer parte da União Européia, mas ainda não adotou o euro como moeda. Foi muito interessante também o fato de não ser necessário mostrar meu passaporte uma única vez na viagem, um dos confortos de viajar por lugares pacíficos e com vontade de se integrar cada vez mais.

algumas coroas estonianas
Não tive muito tempo para realmente conhecer a cidade, pois por razões de preço tive que ficar lá por pouco mais de 12 horas (passar mais uma noite seria caro e difícil, já que o barco tinha quase 2000 pessoas). Mas Tallinn é bem pequena, apenas 400 mil habitantes, então o passeio pelo centro histórico, por sinal um dos mais bem conservados da Europa, com mais de mil anos, e principais atrações turísticas foi plausível.
Inicialmente fiz um tour com um guia estoniano que foi bem enriquecedor, pois, apesar de ter lido um pouco sobre o país em guias turísticos, é sempre melhor que alguém com mais conhecimento físico do lugar possa dar conselhos sobre aonde ir e quanto tempo e dinheiro gastar em cada lugar. Uma curiosidade interessante dita por ele é que a Estônia é o país mais ateu da Europa, pois ali há uma tradição de paganismo, além de a religião ter sido muito restringida na época soviética.
É bem perceptível a relativa pobreza do lugar comparado à outros países europeus do oeste, mas também pode-se perceber uma grande evolução do período soviético com muitos prédios novos, casas bem pintadas e coloridas. Além de a cidade ser bem limpa e conservada.
Os preços são razoáveis e pode-se comer bem por 7 a 8 euros, apesar de a moeda local ser a Coroa Estoniana ou EEK, que não vale muito comparada ao euro e é usada apenas na Estônia. A comida é comum, bastantes batatas e peixes, até procurei saber, mas não encontrei nada de tipicamente estoniano nos menus. Sempre há a opção fast food, que também é bem barata, com um Big Mac sendo quase a metade do preço do Brasil.
As pessoas são muito loiras, tão loiras que perdem a cor saudável. Mas são bonitas para aqueles que curtem esse tipo de beleza. Vestem-se como praticamente em qualquer lugar do mundo e não falam inglês tão bem. Quando pedi ajuda na rua para me situar fui bem auxiliado por uma pessoa jovem, que tinha muita dificuldade para falar inglês, mas muita disposição para ajudar.
A experiência foi muito interessante e inusitada já que é um país que poucas pessoas teriam como destino. Valeu muito a pena ter conhecido, apesar de não muito, a Estônia já que não penso em voltar lá, a não ser em uma outra oportunidade como essa.