Arquivos Mensais: maio 2009

Reflexões sobre o topless

29 29UTC maio 29UTC 2009 por flavia

Hola! Como vocês sabem estou morando na Espanha e até teria muito pra falar sobre o Zapatero, o Barça, o ETA ou sobre a gripe suína... mas uma bobagem coisa muito mais corriqueira anda me intrigando....

Aqui em Valência começa a fazer um calor dos infernos e eu aproveitei meu atual status quase-de-férias para ir à praia nesses último dois dias. Qual não foi a minha surpresa ao comprovar que aproximadamente 90% das meninas fazem topless!!! Era um show: peitões, peitinhos, peitos que nunca deveriam ser mostrados, peitos bonitos, peitos bronzeados, peitos branquinhos! Por um momento passou pela minha cabeça entrar nessa onda de libertação e fazer também, mas me descobri ainda muito arraigada à cultura do meu país.

Depois, assuntando como quem não quer nada com um amigo espanhol: “Assim, legal né, todo mundo aqui faz topless”. “Claro! No Brasil também né?” “Hmmm mais ou menos. Se alguém faz fora da praia de nudismo meio que sai no jornal”. Que hipocrisia a nossa!

Descobri, todavia, que tirar fotos ainda não está permitido, então fiquei meio constrangida de sair por aí fotografando a paisagem! Reparei também que apesar da (falta de) parte de cima, a parte de baixo ainda é muuuito grande. Acho que a bunda ainda não é legalizada....

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Gente boa e gente nem tão boa

20 20UTC maio 20UTC 2009 por Peguete

É curiosa a maneira como se da a relação entre pessoas. As primeiras impressões são muito independentes do resultado final. Claro que há pessoas mais chatas ou mais legais que já atraem os sentimentos bons ou ruins imediatamente, mas isso não é uma regra e muitas vezes enganos acontecem.
Aqui no prédio onde moro (que fica em Lund, na Suécia) cada estudante tem seu quarto e banheiro, mas existe uma divisão por corredor. Os corredores são formados por mais ou menos 10 quartos que dividem a cozinha e uma área comum com TV e mesa para refeições (fotos). Essa explicação só foi dada para fazer os amigos do juan entenderem que é necessário conviver com pessoas estranhas, que nos são apresentadas ao chegarmos aqui.

corredor

corredor


sala de TV com mesa

sala de TV com mesa


cozinha

cozinha


Muito bem. Uma dessas pessoas, que não merece ser exposta, me pareceu esquisita desde o início. Com poucos amigos e hábitos pouco convencionais sempre foi alvo de críticas pelos outros moradores do corredor. Apesar de não querer julgar o rapaz, não os culpo, pois realmente é muito difícil uma conversa de mais de dez minutos sem algum tipo de comentário desagradável, não no sentido de mal educado, mas uma conversa ruim mesmo.
Até ai é comum. Existem pessoas esquisitas e chatas em todos os lugares, isso não faz delas melhores ou piores num sentido moral, apenas devem ser evitadas. Isso foi exatamente o que pensei do sujeito, que me parecia estranho, porém não me dava motivos para nenhum julgamento de seu caráter. Opinião compartilhada pela maioria dos vizinhos que não tem simpatia alguma, inclusive alguns tem posições bem contrárias ao fato de ele existir e principalmente morar aqui.
Particularmente achava certo exagero. O sujeito é esquisito mesmo e tem lá suas bizarrices, mas volta e meia chamava-o para jogar bola, almoçar no restaurante universitário e outras atividades assim inofensivas. Tentava também deixar a conversa mais amena, falando de futebol brasileiro ou alguma outra coisa que ele não entende direito, para que não pudesse discordar com suas observações muitas vezes incômodas.
Só que um aumento na intimidade, por causa do tempo de convívio, leva ao conhecimento de certas falhas de caráter, algumas bem difíceis de compreender: Não é que o sacana, carregado de compras do supermercado, me encontra uma noite na cozinha e começa a guardar suas compras. De repente ele abre a mochila e diz: “carne de graça”. Eu pensei que era porque a validade estava acabando ou já tinha acabado e o supermercado deu para não desperdiçar, e perguntei: “o ICA (nome do lugar) da carne sem validade?” e a resposta devastadora: “não é só por na mochila e sair sem pagar, mas fiz isso porque esse bife só tem 200 gramas e custa muito caro.”.
Não quero ser um juiz implacável e moralíssimo, mas roubar um bife bonitão só porque é caro, é demais! Eu disse a ele: “não precisa explicar nada, aliás, nem fala comigo disso mais. E se você estiver com fome pode me pedir que tenho algumas coisas sobrando.”
Roubar por causa de fome é uma coisa que pode ser até considerada certa e mesmo se não, é perfeitamente entendida. Mas o que o cara fez é resultado de má índole mesmo. Nas compras tinha uma lata de “pringles” e outras coisas supérfluas e mesmo se não tivesse, se um bife de boi da melhor qualidade é caro, compra frango, meu chapa!
Esse sujeito não tem mais respeito ou simpatia de minha parte, agora, além de evitá-lo, vou esconder minhas coisas porque ele pode, de repente, achar que minha camiseta do Brasil é bonita e para ele seria complicado comprar uma igual.
Conviver é preciso, mas é perigoso.

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Festa Jana e Amigas

18 18UTC maio 18UTC 2009 por Inimigo do Ritmo

Galega, 1ª de uma série de despedidas da Jana, minha namorada, que esta indo pra Austrália. Festa que ela ta dando com umas gostosas amigas.

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Andanças por aí

15 15UTC maio 15UTC 2009 por Peguete

Acabo de voltar de uma viagem a Tallinn, para aqueles que andam atrasados com a geografia, é a capital da Estônia, país pouco conhecido até para os europeus. As razões da viagem foram o preço, a oportunidade de conhecer um país completamente diferente e o fato de termos ido de barco, experiência inédita também.
É muito interessante e européia essa idéia mínima (no sentido de espaço físico e quantidade de habitantes) de nação. A Estônia tem 1,5 milhão de habitantes que falam estoniano, uma mistura de húngaro e línguas eslavas (finlandês principalmente), segundo os guias turísticos (obviamente não entendi uma palavra). É o último país dos três estados bálticos (para aqueles mais atrasados ainda com a geografia são Estônia mais ao norte, Letônia no meio e Lituânia mais ao sul).

parte consevada dos muros construídos há 800 anos

parte consevada dos muros construídos há 800 anos


A civilização estoniana existe documentalmente há mais de dois mil anos, porém como nação independente a história da Estônia é bem recente. Aconteceu que por ser realmente mínima e com poucos habitantes sempre houve alguém para dominar a “última esquina” da Europa quando os estados nacionais se formaram.
Inicialmente foram os suecos que tomaram a região no sec. XIV. Depois príncipes germânicos marcharam com seus exércitos e se tornaram os líderes, porém os suecos conseguiram novamente obter a região em outra guerra, o que, segundo o guia turístico foi bom pois as primeiras escolas e universidades foram estabelecidas. Por fim o império czarista russo conquistou a região, que permaneceu como russa até o fim da primeira guerra mundial, já que a Rússia também havia passado pela Revolução.
A independência da Rússia, porém durou apenas pouco mais de duas décadas, pois após a segunda guerra mundial a União Soviética invade de novo a Estônia e impõe o sistema uni partidário com os comunistas ligados à Moscou no poder.
Com o fim da URSS a Estônia foi um dos primeiros países a se declarar independentes e ser reconhecida como nação pelos demais países do mundo. O período soviético foi muito ruim para a maioria dos estonianos, segundo o guia a economia do país era comparável à da Finlândia no fim da Segunda Guerra, além das milhares de pessoas massacradas pelo regime, dentre elas o então presidente estoniano, que foi exilado na Sibéria e morreu em um campo de trabalho alguns anos depois. Os russos também modificaram bastante a etnia local já que milhares de novos trabalhadores russos foram levados à Estônia, fazendo com que atualmente 30% da população seja russa ou de ascendência russa.
Em 2004 o país passou a fazer parte da União Européia, mas ainda não adotou o euro como moeda. Foi muito interessante também o fato de não ser necessário mostrar meu passaporte uma única vez na viagem, um dos confortos de viajar por lugares pacíficos e com vontade de se integrar cada vez mais.
algumas coroas estonianas

algumas coroas estonianas


Não tive muito tempo para realmente conhecer a cidade, pois por razões de preço tive que ficar lá por pouco mais de 12 horas (passar mais uma noite seria caro e difícil, já que o barco tinha quase 2000 pessoas). Mas Tallinn é bem pequena, apenas 400 mil habitantes, então o passeio pelo centro histórico, por sinal um dos mais bem conservados da Europa, com mais de mil anos, e principais atrações turísticas foi plausível.
Inicialmente fiz um tour com um guia estoniano que foi bem enriquecedor, pois, apesar de ter lido um pouco sobre o país em guias turísticos, é sempre melhor que alguém com mais conhecimento físico do lugar possa dar conselhos sobre aonde ir e quanto tempo e dinheiro gastar em cada lugar. Uma curiosidade interessante dita por ele é que a Estônia é o país mais ateu da Europa, pois ali há uma tradição de paganismo, além de a religião ter sido muito restringida na época soviética.
É bem perceptível a relativa pobreza do lugar comparado à outros países europeus do oeste, mas também pode-se perceber uma grande evolução do período soviético com muitos prédios novos, casas bem pintadas e coloridas. Além de a cidade ser bem limpa e conservada.
Os preços são razoáveis e pode-se comer bem por 7 a 8 euros, apesar de a moeda local ser a Coroa Estoniana ou EEK, que não vale muito comparada ao euro e é usada apenas na Estônia. A comida é comum, bastantes batatas e peixes, até procurei saber, mas não encontrei nada de tipicamente estoniano nos menus. Sempre há a opção fast food, que também é bem barata, com um Big Mac sendo quase a metade do preço do Brasil.
As pessoas são muito loiras, tão loiras que perdem a cor saudável. Mas são bonitas para aqueles que curtem esse tipo de beleza. Vestem-se como praticamente em qualquer lugar do mundo e não falam inglês tão bem. Quando pedi ajuda na rua para me situar fui bem auxiliado por uma pessoa jovem, que tinha muita dificuldade para falar inglês, mas muita disposição para ajudar.
A experiência foi muito interessante e inusitada já que é um país que poucas pessoas teriam como destino. Valeu muito a pena ter conhecido, apesar de não muito, a Estônia já que não penso em voltar lá, a não ser em uma outra oportunidade como essa.

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