Os portugueses fazem cada coisa…

Venderemos em Diamantina…
Os portugueses fazem cada coisa…

Venderemos em Diamantina…
Um minuto de silêncio em homenagem à Michael Jackson…
É sabido que o presidente Lula fala muitas coisas improvisadamente e sem que uma assessoria o aconselhe ou censure. O que se vê em certas situações é a total falta de percepção e discrição com falas sem, até mesmo, noção da realidade.
O texto não é uma discussão de governo nem partidária, não se quer dizer que por isso o atual governo ou o presidente são melhores, piores ou comparáveis a anteriores ou quaisquer outros políticos. Tampouco é uma discussão de dados, por exemplo, crescimento econômico e diminuição da pobreza. O que é sugerido é o fato de o presidente, por achar que é muito popular, falar diversas coisas que devem ser criticadas, até mesmo por partidários do governo ou do Partido dos Trabalhadores, para que não se repitam. O que quero evitar são discussões apaixonadas, como de futebol e tentar racionalizar o assunto.
Uma das últimas dessas declarações, que nem quero discutir, foi a de que o senador José Sarney não é comum, ou deve ser tratado como incomum. Sobre essa, é melhor ler a capa da última Veja. Outra bem contestável dita também há pouco, foi a que protege a reeleição do presidente do Irã, sabidamente anti semita, belicoso e que já sugeriu a destruição do Estado de Israel (independentemente de ele ter sido reeleito ou não, é muito controverso).
As declarações que quero discutir, porém, são a respeito da crise econômica e da questão ambiental, ditas há algum tempo, mas que, como as últimas causaram polêmica por serem absolutamente contestáveis.
O presidente disse em Londres, que essa era uma crise dos “loiros de olhos azuis”. Primeiramente e independentemente de razão na fala, essa declaração é racista, porque é óbvio que a crise não é culpa de nenhuma raça/etnia/o que queira se chamar e sim de todas elas, já que a crise começou nos EUA e há membros do governo (inclusive o próprio presidente americano) que não são loiros, nem mesmo brancos, um reflexo direto do povo, há gente de todo tipo. Se ainda assim se quiser interpretar e tentar, a partir da declaração, retirar algum significado do tipo: “os presidentes de empresas e bancos, riquíssimos e corrompidos pelo dinheiro e pelo poder, seriam os culpados”, não se chega a nenhuma conclusão racional, pois o presidente do Citi é indiano e não é branco e o presidente da Merrill Lynch é negro mesmo. Como se sabe, ambas as instituições foram pavios da crise.
A segunda declaração foi dita aqui no Brasil, segundo Lula, não se pode chamar os desmatadores da floresta amazônica de criminosos. Obviamente também, alguns dos desmatores são sim criminosos, se o código penal brasileiro for ser respeitado, claro. Então não só se pode como é obrigação do governo chamá-los exatamente pelo adjetivo e ainda cobrar multas e aplicar outros tipos de sanções por terem desrespeitado a lei.
É muito contraditório, já que poucos dias antes de abordar a questão ambiental dessa maneira, o presidente disse que o Brasil dá lição sobre meio ambiente para os países industrializados. O que parece é que, para cada grupo de ouvintes, Lula tem uma opinião diferente, para agradar a todos e ter a popularidade em alta, sempre. Sobre o assunto ver também a votação de uma MP assinada por Lula no senado, legalizando certos desmatamentos.
A presidência da república é uma instituição que deve ser mantida intocável, ou seja, o presidente deve, a todo custo, tentar manter o respeito e a integridade do cargo que ocupa. Uma das maneiras de se fazer isso é não dar declarações sem a menor noção do que acontece de verdade, para que não se crie situações incômodas dentro e fora do Brasil. Não se sugere aqui que o Brasil, por meio de sua presidência, abaixe a cabeça e seja subjugado por outros países ou instituições nacionais, quaisquer sejam. O tipo de situação é muito diferente, são aquelas em que se cria uma indisposição praticamente gratuita para com o Brasil e/ou o governo, por conta de falas esquisitas do presidente.
Assim, declarações racistas e a favor de desmatamento deveriam ser abolidas das falas presidenciais, assim como a defesa de deputados e senadores criminosos, como Renan Calheiros, José Sarney, entre muitos outros, apenas porque são articuladores da base aliada. Além, claro, de questões delicadas de política internacional, especialmente quando não dizem o menor respeito (imensa maioria das situações) ao Brasil. Outros assuntos de justiça deveriam ser deixados exatamente para o poder judiciário.
Deveria também haver um compromisso maior com a ética, dizendo isso de uma maneira geral, para todos os políticos, mas principalmente para o funcionário público número um. Sobretudo, porém, é preciso um compromisso com a realidade, para que declarações ridículas não sejam ditas pelo personagem político mais importante do Brasil.

Direto do Um sábado qualquer! Abs
uma curta, simplesmente um link para vocês se divertirem nesta 6ª. Aparecendo outros bons complemento:
http://olhaopassarinhojesus.tumblr.com/
Para espantar as moscas daqui, contribuir com uma besteira aleatória e manter minha tradição de mais bobo do que a média, segue um vídeo de uma pérola da música popular brasileira.
E falando em pérola, uma lição filosófica, melhor que “O Monge e o Executivo”:
A cena se passa num templo Shaolin:
O discípulo:
- Sábio e honrado mestre, poderia ensinar-me a diferença entre uma pérola e uma mulher?
O Mestre:
- A diferença, humilde gafanhoto, é que numa pérola pode-se enfiar pelos dois lados, enquanto numa mulher somente por um lado.
O discípulo (um tanto confuso):
- Mas Mestre, longe de mim pensar contradizer vossa himalaiana sabedoria, mas ouvi dizer que certas mulheres permitem ser enfiadas pelos dois lados!
O Mestre (com um fino sorriso):
- Nesse caso, curioso gafanhoto, não se trata de uma mulher e sim de uma pérola”
No texto anterior uma tentativa de descrição de certos aspectos positivos da vida no Brasil foi exposta. Neste, o objetivo é o contrário. Por exemplos concretos, uma crítica será feita.
Talvez o fato de a defesa ter sido apresentada primeiro livrará a minha pessoa de estar “estrangeirado”, ou aliviará críticas como “se você prefere tanto, porque não fica pra sempre na Suécia”.
Um esclarecimento necessário é de que fazer dois textos não foi proposital, muito antes pelo contrário. Minha idéia inicial era de fazer uma crítica apenas, no decorrer do texto, porém, amadureci certos argumentos favoráveis ao Brasil e resolvi que um só, que expusesse ambos os pontos de vista, seria muito longo e enfadonho.
Concentrarei-me em um ponto principal, que se desdobra em dois, que acho essenciais para a compreensão do exame que pretendo fazer. Mas primeiramente é preciso que se entenda o real propósito da comparação, que não é mostrar puramente os defeitos do Brasil, todavia indicar um meio de solução, ou ao menos de melhora da situação caótica que existe.
O ponto principal é a imensa cultura de que o contribuinte tem de receber os impostos que paga em forma de serviços. Nessa terra, não se pensa só em trabalho e mesmo assim a produtividade de um trabalhador sueco é várias vezes maior do que a de um brasileiro.
Por aqui há 14 meses de licença paternidade/maternidade, digo isso porque a mãe pode dividir com o pai o tempo fora do trabalho. Claro que por alguns meses imediatamente posteriores ao nascimento, por razões óbvias, só as mamães podem ficar com os rebentos, mas a partir de certo período os pais também podem e são muito incentivados a tirar algum tempo logo no início da vida de seus filhos. Isso tudo recebendo 80% do salário.
As férias são de 5 semanas, ou seja, há 25% mais tempo de descanso remunerado por ano do que no Brasil. Se multiplicado por todos os trabalhadores do país é muito tempo “improdutivo”.
Há também vários outros tipos de regime de trabalho possível de se negociar com o empregador, como por exemplo, trabalhar apenas 50% do tempo por um período pré-fixado. Claro que esse tipo de negociação leva à redução de salário, mas são coisas possíveis que não são muito pensadas no Brasil.
O desdobramento do argumento inicial é o fato impressionante de, na Suécia, os cidadãos receberem serviços de muita qualidade e a mínima burocracia existente. Qualquer pessoa que vá permanecer aqui por mais de 6 meses, com um visto de estudante ou de trabalho, tem direito a um número de “segurança social”, que garante certas vantagens como facilidade para arrumar emprego, tirar outros documentos e se identificar perante outras instituições, além de garantir acesso à hospitais, claro, de graça. Isso demora umas 2 semanas para chegar por carta, depois do pedido que é feito em alguma agência dos correios.
Outro exemplo muito agradável é o fato de que qualquer pessoa pode se tornar membro da biblioteca pública e alugar quantos livros quiser pelo período de um mês sem que para isso precise mostrar nem ao menos comprovante de residência. Até na UFMG, que há um cadastro inicial ao passar no vestibular, os alunos precisam mostrar identidade e CPF para que se possa associar à biblioteca e lá independentemente de qual faculdade se estuda e quantas matérias se está cursando, só se pode alugar 5 livros de cada vez, pelo período de duas semanas.
Nas bibliotecas da universidade aqui, o conforto é semelhante ao das bibliotecas públicas. Qualquer pessoa do mundo pode ser sócia, desde que tenha um documento para comprovar sua identidade. Pode-se pedir quantos livros quiser de qualquer biblioteca universitária da Suécia! Chega em mais ou menos uma semana na biblioteca escolhida pelo membro. Sem contar a imediata e muito mais importante, grátis, retirada de documentos para outros fins, como por exemplo, um histórico das matérias.
O mais impressionante porém, é a facilidade de se renovar vistos de estudante ou trabalho. Aconteceu comigo por isso posso relatar. A única necessidade é levar a nova carta de aceite por parte do empregador ou universidade e em (pasmem!!) 3 horas, o novo visto estava impresso no meu passaporte.
A facilidade representada pelas circunstâncias criadas pela sociedade é um fator de muita diferença entre o nosso país e os nórdicos em geral. Infelizmente temos muito a percorrer para atingir esse estágio. É muito difícil entender porque não há um sistema eletrônico para ser usado quando se necessita de uma nova carteira de identidade ou CPF por exemplo. E a demora imensa em filas e depois para se pegar o documento. Mesmo na universidade não se pode retirar documentos ou livros sem um processo demorado e caro (5 reais para um histórico de, no máximo, 4 páginas).
O que me impressiona mais é que nem um debate no sentido de diminuir essa burocracia burra e dispendiosa há no Brasil. Independentemente de qual nível seja municipal, estadual ou federal, qualquer serviço é ruim.
Enfim, paraíso realmente, só na novela. Mas melhorar é possível e preciso. Nem custa tanto assim, é muito mais a vontade pessoal e governamental do que dinheiro mesmo. Os exemplos estão ai, a Suécia é um ótimo. E o desejo de aperfeiçoar?
Um tempo fora do Brasil faz com que reflitamos com maior densidade sobre como é a “pátria amada, mãe gentil”. Críticas ficam mais contundentes e defesas, mais apaixonadas. Por estar na Suécia, um país muitíssimo avançado em quase qualquer aspecto social e econômico que se queira analisar, minha reflexão fica ainda mais profunda porque a base para comparação é muito boa.
Tenho total convicção de que o Brasil tem milhares de vantagens indiscutíveis sobre qualquer país do mundo, independentemente do fato de minha família e meus grandes amigos morarem ai.
A proximidade no relacionamento das pessoas é uma delas. Na Suécia a distância entre os suecos e os imigrantes é imensa, é muito difícil ter amigos suecos, por exemplo. Pode-se passar anos sem um contato mais próximo com os habitantes que nasceram aqui, mesmo falando a língua e tendo contato profissional. Ao conversar com um brasileiro que já mora e trabalha aqui há 7 anos, ele disse não ter amigos suecos. Seus amigos são todos estrangeiros, não necessariamente brasileiros, mas imigrantes de outras partes do mundo. É tão óbvia a distância que até mesmo os suecos concordam, dizem que acontece mesmo, que é cultural.
Outra desvantagem óbvia daqui é o clima. Qualquer que seja a pessoa, até mesmo nascida na Sibéria, se incomodaria com o inverno daqui. Um dos meus professores é uruguaio e diz que sempre que quando volta ao seu país, lhe dizem que para ele o frio do Uruguai é bem ameno comparado ao da Suécia e por isso ele estaria acostumado. A reposta é sempre a mesma: “Al frio no se acostumbra nadie”. Eu mesmo cheguei já no fim do frio, em março, e ainda assim senti um incômodo grande. Imagino que nos meses de maior intensidade do inverno seja muito complicado.
As temperaturas nem são tão baixas, entre 10 graus negativos e 0 grau. Um grande problema é que o vento é muito forte, pois não há prédios muito altos e há uma grande influência do mar, já que o país é estreito, por isso a sensação térmica fica bem mais baixa. A maior dificuldade porém, é o fato de que durante vários meses frios não tem luz do sol durante o dia. Em grande parte do inverno o sol nasce entre 9 e 10 horas da manha e se põe entre 2 e 3 horas da tarde.
Claro que para o problema do frio há a solução de aquecimento interno, que por sinal, como quase todos os serviços suecos, é de primeiríssima qualidade. Mas sem sol as pessoas ficam menos interessadas em sair de casa, usam roupas mais escuras ficam de pior humor, ou seja, não tem jeito. É preciso então, que se tenha a expectativa condizente com a realidade do lugar, serão seis meses de aquecimento forte, sendo que mais ou menos 3 sem sol, dois de aquecimento fraco e quatro quase sem aquecimento, sendo 2 ou 3 com sol até quase 11 da noite.
O problema da falta de contato também não tem solução, já que não se pode mudar a sociedade toda. É claro, entretanto, que se pode fazer amigos suecos, mas mesmo entre eles, não há uma intimidade e proximidade assim como estamos acostumados no Brasil e imagino que em vário outros países do mundo. Assim para morar aqui, é preciso estar ciente disso também.
A qualidade de vida aqui nos Nórdicos é realmente muito grande e muito visível. Quase todos os problemas que demandam tecnologia e desenvolvimento econômico são solucionados com muita eficiência, como por exemplo, o aquecimento das casas. A “desgraça” está naquilo que é ruim e não se pode remediar diretamente. Paraíso é só na novela, amiguinhos…