Arquivos Mensais: agosto 2009

Jazz, Arte e Liberdade

30 30UTC agosto 30UTC 2009 por abduzido

Atendendo a pedidos, muitos, para aparecer por aqui, venho através das bandas siderais e vibrações intergaláticas (exclusividade dos seres abduzidos, é claro) tratar de um assunto bem contemporâneo do nosso mundinho mesmo. O Jazz.

Muitas pessoas fecham mente, alma e coração quando o assunto é esse. Lançam mão de preconceitos caducos, dão justificativas quadradas ou até mesmo partem para a intolerância explícita - não quero, não gosto. Bem, longe de querer julgá-las, na verdade até as compreendo, e bem. Compreendo que nem todas as pessoas gostarão do Jazz, e que muitas não serão por ele tocadas a ponto de gostar. Mas que seja feita pelo menos a tentativa. Tudo merece uma chance. Aos que não concordarem, devo dizer que são eles mesmo que saem perdendo, e muito, nesse provincianismo musical.

Dentre os argumentos mais comuns contrários, cito alguns. É música confusa. São coisas demais ao mesmo tempo. É difícil de entender. É difícil de acompanhar. É muito desordenado. Não tem lógica, não tem sequência, não tem harmonia. É irritante. É barulhento.

A meu ver, o que realmente ocorre é que o Jazz nunca foi realmente difundido. Muitas pessoas realmente não conseguem entender e acompanhar o estilo musical - que é altamente imprevisível - e, assim, não conseguem apreciá-lo como ele de fato é. E apreciar o Jazz é algo que, normalmente, se aprende aos poucos. Mesmo os indivíduos que são completamente arrematados, em uma espécie de amor à primeira nota, como eu, em geral levam tempo para conseguirem sentir o verdadeiro Jazz que há no Jazz. Para sentir a liberdade se materializar em som, o espírito vibrar, a alma dançar, o coração sincopar.

Jazz é liberdade porque foge da padronização. Porque é essencialmente composto de improvisações. Logo, é espontaneidade bruta, lapidada em notas e tons pelos saxofones altos, baixos, barítonos, pelos pianos de todas as cores, pelas cordas de diversos tamanhos, pelos sopros, pelos trompetes, pelos trombones e, acima de tudo, pela criatividade aguçadíssima feita em arte. É indefinível. É, muitas vezes, uma coisa diferente para cada pessoa. É, outras tantas, universal.

Além de tudo, Jazz é paz e união, sincretismo musical de diferentes culturas, diferentes cores, diferentes raças. Para mim, se fosse pedido um ideal em forma musical, eu responderia Jazz sem hesitar. É ideal de fraternidade, liberdade e paz. E, o que o torna ainda mais bonito, reflete a doce espontaneidade da vida. É isso que eu sinto quando escuto um Miles Davis, um John Coltrane ou um Dave Brubeck fazendo a sua mágica. E sentir é uma forma de interagir com o mundo. E imaginar o mundo. E a arte não é uma das formas de compartilhar os nosso ideais, de expressar o que sentimos, o que sonhamos?

Bem, falando nisso tudo, estive no Jazz Festival Brasil na semana passada, acompanhado dos meus grandes amigos Rodrigo e Leonardo (fica aqui um abraço para eles). E foi fantástico. Assistimos Bob Wilber em parceria com Dany Doriz e banda, que foram ao Jô Soares no dia 25/08:

Eles tocam muito. Muito mesmo. Demais! Aqui dá para entender melhor o que eu estou falando:

É, o Jazz está começando a se popularizar. O Jazz Festival Brasil foi um bom exemplo disso, trouxe grandes artistas, música de altíssima qualidade, abriu as portas para o público, não foi caro demais, teve boa repercussão. Alguns estabelecimentos já têm eventos frequentes com bandas locais. Tem o Festival Tudo é Jazz em Ouro Preto - não que tudo seja Jazz, falácia que se mostra cada vez mais comum - que este ano é de graça, pelo que estou sabendo. Tem outras. Mas acho que ainda falta muito para ele ser considerado, de fato, popular. O que seria muito bom para os seus amantes, já que significaria, por exemplo, maiores possibilidades de ocorrerem bons eventos envolvendo o estilo musical. E também seria muito bom para os novos apreciadores, a quem seria dado contemplar mais uma das belas facetas da vida, na forma de arte, na forma de música. Mas isso eles só saberiam depois de gostarem. O que eles só poderiam depois de tentarem. No mínimo, vale à pena tentar.

Por fim, para aqueles que se interessarem em entender melhor como o Jazz funciona, fica aqui uma boa referência: Como Funciona o Jazz.

Atualizado em 01/09/2009 às 14h27:

Como o Rodrigo fez um belo comentário, que amplia as idéias do post e acrescenta algo indispensável ao tema (música), aqui está ele:

Mas deixando a bobeira de lado…Muito bom o post! Escreveu muito bem sobre essa coisa pouco definível que é o jazz…e acrescento que pra mim não so o jazz como as mais variadas formas de música, apesar de terem suas nuances e peculiaridades, transmitem esse sentimento amplo, essa alegria, essa materialização da liberdade. A música é infinita e explorá-la é um dos maiores prazeres que eu conheço.

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Por uma privatização da fiscalização.

29 29UTC agosto 29UTC 2009 por frotinha

Lendo o último post do Peguete, onde já fiz meus comentários, me lembrei de uma conversa com uma professora minha, na qual ela propôs algo que eu nunca havia escutado e achei bastante interessante. Imaginem se todo o sistema judiciário, com também o sistema de fiscalização, Tribunal de Contas, Ministério Público, as agencias reguladoras, dentre outros órgãos, deixassem de serem órgãos públicos. Se fossem, por exemplo, organizações privadas, com funcionários privados, contratados por mérito, dos quais se cobrassem resultados práticos, adotando o sistema de metas e resultados já utilizado em várias empresas. Tudo bem que a jurisdição está na constituição como de monopólio do estado, mas porque deve ser assim? Nunca lhes pareceu algo controverso, que o próprio estado crie e mantenha, dentro de sua estrutura, órgãos que o fiscalizem. Imaginem por exemplo, se o governo contrata-se uma grande empresa de auditoria, para fazer o trabalho de fiscalização da Receita Federal, não seria mais eficiente e isento. Toda essa reforma no nosso sistema, também o tornaria mais barato, pois haveria uma racionalização dos custos com uma evidente otimização dos resultados. Em minha opinião, o sistema idealizado por Montesquieu, conhecido como sistema tripartíde de poderes, ou sistema de freios e contrapesos, onde um dos poderes fiscalizaria o outro, realmente está falido. Digo isso, pois cada vez mais vejo que na verdade quem manda não é a ética ou profissionalismo, mas sim a grana. Quem sustenta esses órgãos é o governo e este exerce total influência sobre seus comandantes, ameaçando o corte de verbas dentro outras censuras, caso não seja feita uma ou outra concessão aos “amigos do poder”. Agora, aí me perguntam se esse sistema de privatização de certos órgãos não cairia na mesma, eu acredito que não. E acredito nisso, pois a partir do momento que se definisse que, por exemplo, a empresa, fundação, ou associação X, ficaria com a responsabilidade de administrar e controlar o poder judiciário do estado de Minas Gerais e que tal contrato seria por um período de tempo Y, sendo pago por esse serviço um valor Z, ou seja, estabelecendo critérios e parâmetros, a coisa funcionaria com muito mais isenção e eficiência. Quando minha professora disse isso, alguns alunos da sala acharam um absurdo, outros começaram a rir e outros a chamaram de Neoliberal Xiita, mas eu não acho tão absurdo assim, acho até uma idéia bastante plausível que deveria ser mais discutida e estuda, para quem sabe algum dia, poder ser implementada. Acredito também que na própria discussão do tema, poderia a curto prazo surgirem algumas pequenas reformas, implantando-se alguns métodos empresarias já consagrados. Bem, deixo para vocês a idéia e gostaria de saber suas opiniões. Da minha parte, me proponho a tentar desenvolver mais essa idéia, ou seja, levantar a discussão sobre o assunto nos meios acadêmicos e profissionais que eu convivo. Acho que vocês poderiam fazer isso também, trazendo suas contribuições.

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Tem gente mentindo no movi!

27 27UTC agosto 27UTC 2009 por Peguete

Hoje estava pensando em escrever um texto mais leve, a exemplo do último, que atraiu mais comentários do que o normal. Mas a situação é um tanto quanto curiosa. E como nem todos os amigos do Juan são assíduos leitores e telespectadores de jornal, é importante informá-los.

Para aqueles que realmente não têm se informado, Lina Vieira, ex secretária da receita federal disse que teve um encontro com Dilma Roussef e que ela mandou que se agilizasse as investigações contra o filho de José Sarney que a receita estava fazendo (vá lá, Dilma não é, nem nunca foi superiora de Lina e não poderia mandar nada na receita federal, ainda mais quando incluía Sarney, aliado do governo, porque se pode agilizar pra aliados pode também retardar para adversários ou fazer o diabo a quatro).

Lina entendeu que agilizar significou encerrar, mas achou que aquilo foi apenas uma sugestão, ou sei lá o que. O fato é que depois que Lina disse em entrevista à Folha de S. Paulo que houve o encontro, Dilma, de maneira muito veemente, negou.

O problema está exatamente aí. Dilma não precisava ter negado o encontro, se falasse que tinha acontecido e que agilizar significou dar mais presteza, tudo estaria bem. Mas com a negativa e a posterior reconfirmação de Lina, uma bola de neve começou a se formar.

Foi a assessora de Lina que confirmou que houve conversas da assessora de Dilma para que uma reunião fosse marcada, o ex motorista da receita, disse também que levou Lina ao Planalto nas datas ditas pela ex-secretária e por ai vai. Sempre com Dilma negando e dizendo que alguém tem que comprovar, tentando mesmo descaracterizar Lina e mostrar pouca importância no fato, dizendo que era palavra contra palavra.

Querendo mostrar que era possível comprovar ou não o fato, a oposição – DEM, PSDB, PSOL – pediu então que os arquivos da segurança do Planalto fossem abertos para que se pudesse ver as placas dos carros que entraram no lugar e as imagens do circuito interno de TV. O chefe da segurança do governo disse então que não era possível, pois as imagens seriam apagadas (!!!!!!) depois de 30 dias e as placas oficiais não seriam nem anotadas (!!!!!).

Se trata da segurança do homem público mais importante do Brasil e as placas oficiais não são nem anotadas. Imaginem a quantidade de placas oficiais que existem..., nos outros governos estaduais de São Paulo e Minas, por exemplo, todas as placas são anotadas e guardadas por bem mais tempo. Enfim, todos acharam o fato muito estranho e a imprensa está em cima, tentando esclarecê-lo.

Assim, em reportagem do jornal nacional de ontem, foi lido no edital de compra do sistema de segurança do Palácio do Planalto que o sistema tem que armazenar as imagens por SEIS MESES e que depois desse período devem ir para um back up. Portanto, a não ser que nem os editais do próprio governo sejam mais respeitados pelo governo (????), tem gente mentindo no movi!

Claro que o governo agora vai tentar negar de todas as formas, não é... por mais incrível que possa parecer, já disseram “os dados ficam armazenados por 6 meses, mas as imagens apenas por 30 dias.” Eu fico me perguntando o que seriam “os dados” de um circuito interno de TV, será que não são imagens?

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Outliers amigos do Juan?

25 25UTC agosto 25UTC 2009 por Peguete

No avião tem-se muito tempo, especialmente em vôos mais longos. Pode-se por a leitura em dia, assistir a diversos filmes que a própria companhia aérea dispõe e mais tantos outros no notebook, dormir e por ai vai.

Tive sorte dessa vez. Ganhei um livro no mesmo dia que ia viajar de avião em dois vôos bem longos. O livro se chama “Outliers”, ou “Fora de Série”, em português e foi escrito por Malcolm Gladwell, que é jornalista, por isso assina uma coluna no New York Times e já trabalhou no Washington Post.

Em uma entrevista Gladwell se definiu como uma pessoa que trabalha como uma antena que recebe os sinais da academia e os repassa para o público. Assim como em outros livros, em “Outliers” o autor se baseia em vários estudos de grandes universidades, relacionando-os a casos muito conhecidos do público.

A principal tese do autor é - já muito batida por livros de autoajuda - de que não basta apenas ser talentoso, nem ter uma grande oportunidade, nem trabalhar muito, é preciso que tudo esteja junto. A pessoa de sucesso extremo seria aquela que tiver em seu passado, tudo o que seria necessário para alcançar o êxito máximo. Porém, o autor a define , traduz quais são as características necessárias para se tornar outlier, ou pelo menos as que foram necessárias para que grandes nomes se tornassem. Sempre se referindo às vicissitudes culturais/do ambiente que foram imprescidíveis aos realmente ótimos.

Então, crianças negras, brancas, ricas, pobres, etc, tem, em geral, a mesma capacidade, porém, por serem moldadas pelo ambiente de forma diferente, acabam por obter resultados muito diferentes em testes de inteligência e provas para ingressar nas universidades.

É um certo Darwinismo social/pessoal, em que o ambiente vai selecionando aqueles que se adaptam melhor e os outliers realmente foram selecionados, tendo todas as características para serem os mais eficientes no que fazem. Claro que é bem mais elaborado do que isso.

Deste modo, Bill Gates, Mozart e os Beatles têm muito em comum. Todos atingiram o sucesso imenso, marcaram uma geração e, provavelmente, jamais terão seus nomes apagados da história, mas isso só aconteceu, porque todos eles trabalharam 10 mil horas durante suas vidas até se tornarem bons. O número de 10 mil horas seria mágico, tanto que todos os ótimos em qualquer área do conhecimento ou atividade física só conseguiriam se tornar o que são com todo esse tempo de trabalho.   

A teoria vale também para o fracasso, ou seja, o ambiente modela o fracasso. Por isso, desastres de avião acontecem mais em companhias aéreas de países em que o poder é muito distante das pessoas, ou seja, o copiloto respeita muito o piloto e não tem coragem, por razões culturais de contrariá-lo, mesmo sabendo que está errado. Nesse caso, só com muito mais trabalho (10 mil horas, talvez?), o legado ambiental seria diminuido e desastres de avião, evitados.

Agora, voltando aos outliers amigos do Juan e analisando-os de acordo com o livro: Mateus e Gabriel Andantes são tão sinistros empresários aos 23 anos porque tiveram toda uma infância e adolescência que os levou a ter o tino para negócios que têm, com claro, 10 mil horas de trabalho no computador para que desenvolvessem o programa para monitorar as ações na bolsa.

Juan se dá tão bem com os estudos porque desde a infância foi classificado como bom aluno, provavelmente porque era mesmo, isso o levou a ser mais próximo dos professores, que davam mais atenção a ele do que aos outros, o que só fez melhorar seu desempenho acadêmico. Depois das 10 mil horas de estudo, tudo o que o garoto pega pra estudar é aprendido com maior facilidade do que por outras pessoas.

Para o resto, comigo incluído, não consigo pensar em nenhuma atividade que tenha sido realizada por 10 mil horas. Talvez eu tenha nadado por todo esse tempo, mas nem de longe sou um outlier. Contudo, não podemos nos abalar, com 3 amigos assim no grupo, podemos pegar carona no seu sucesso...

No mais, espero que nós, os amigos do Juan comuns, possamos viajar muito de avião para que nos dediquemos por 10 mil horas a alguma atividade e quem sabe então...

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Indicação (Dr. Me Explica) e notícia

24 24UTC agosto 24UTC 2009 por Inimigo do Ritmo

Caros, não sei se vocês viram que o endereço final do blog mudou. Assim como as senhas da galera, que eu já mandei por e-mail. Continua amigosdojuan.com ou .com.br, mas redireciona agora pro http://bluelogs.net/amigosdojuan/

Isto significa que agora fazemos parte da rede de blogs Bluelogs.net, da BlueBox, empresa do Turtle, Pedrão e Patão. Eles que colocaram este trem no ar em troca de uma João Andante (na verdade foram 2, a 2ª pra registrar o domínio ".com"). Como a idéia era nós mesmos (eu e o abduzido) arrumarmos o layout e etc. fizeram só isto e pronto. Como não fizemos muita coisa (desenharam em cima da nossa foto, eu coloquei o desenho e o abduzido se fez um bigode...) fechei com eles pra entrar na rede de blogs. Coisa de nerd né. Mas agora eles vão mecher no SEO (fazer os posts aparecerem mais no Google) e arrumar o layout do site, entre outros detalhes. E se algum dia isto der algum dinheiro com publicidade eles ficam com uma parte.

Inclusive na rede tem alguns blogs interessantes, um deles é o Dr. Me Explica, que vai discutir dúvidas e trens de medicina em geral. O nosso amigo aqui que não toma toco talvez vai escrever lá de vez em quando.

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Meu aniversário

10 10UTC agosto 10UTC 2009 por Shakira

Pra variar vou comemorar meu aniversário no bar do belga domingo às 16 hrs. Leitores do blog convidados, escritores podiam chegar as 16 hrs pra eu nao ficar sobrando..
Abs,

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