Diferenças

14 14UTC setembro 14UTC 2009 por Peguete

Outro dia, o Léo, um chileno amigo meu, chamou outro conhecido para ir para um almoço que alguns outros amigos e amigas haviam combinado fazer. Quando o cara chegou, parecia ser normal. Fomos apresentados e nenhuma grande surpresa aconteceu.

Depois de algum tempo de conversa, perguntei se ele era espanhol, por causa do seu sotaque forte e característico. E ele respondeu: “não, sou basco”. Eu, com meu imenso tato para estas questões, ri.

A minha reação desagradou um pouco o mano, que fechou a cara e não disse mais nada. No momento, pensei que deveria dizer algo que aliviasse a pressão, porque o cara estava, em certo sentido, ofendido e eu, bem desconfortável. Num instante, me lembrei de que a língua ou dialeto, sei lá eu (olhei no dicionário, mas dialeto se define como uma língua peculiar a uma região e língua, sistema de comunicação comum a uma comunidade lingüística), que se fala no, dito, país basco, se chama Euskera. Então, mais do que depressa tirei essa da manga, e perguntei se ele falava o diabo da língua. Tudo ficou bem, o cara perguntou como eu sabia e tal e daí a conversa fluiu normalmente e foi parar em futebol.

O que me impressionou foi a reação do camarada. Se o cara nasceu no país basco e o país basco é pertencente à espanha, o cara, em certo sentido, é espanhol. Ainda mais que, no decorrer da conversa ele disse que seus pais não nasceram no país basco, são “imigrantes” e não se fala Euskera em sua casa.

Pensando sobre outros espanhóis (ops, catalães, andaluzes, galegos, por ai vai) que já conheci, vi que, em alguma medida, todos são um pouco assim, falam uma língua (um pouco) diferente do espanhol stricto sensu e se sentem menos espanhóis e mais de seus respectivos lugares de nascimento.

Curioso. No Brasil, ou na maioria dos países pelo mundo, nem ligamos pra isso. É claro que há identidades culturais diferentes, mas, justamente, são as diferenças que fortalecem a miscelânea cultural do Brasil e de vários outros países. É certo também, que não temos diferenças lingüísticas tão fortes, nem grupos terroristas (como o ETA, por sinal, basco), que tenham feito atentados para forçar uma independência, então, realmente não há tanta gana em se definir como x ou y, somos todos brasileiros.

Mesmo assim, fico imaginando se, quando a Espanha ganhou a Eurocopa no ano passado, ele festejou, ou achou que não era com ele. Ou quando lê Cervantes, identifica o autor e Quixote como compatriotas andaluzes, ou apenas personagem e escritor estrangeiros.

Não que ter uma forte identidade local seja empobrecedor, até penso no contrário, é legal, no meu caso, ser belohorizontino e mineiro, há várias nuances e vicissitudes próprias de cada rua, cada bairro e assim por diante. Mas retificar que sou brasileiro, é dureza, né. Até porque, por que deveria me fechar à fazer parte de um conjunto maior, que é legal e que não torna menor a importância dos outros de que também participo?

Se eu fosse esse mano, ao ser perguntado se era espanhol, responderia: sim, mas primeiro sou basco.

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Os frutos da briga

9 09UTC setembro 09UTC 2009 por Peguete

A briga relatada na semana passada (link do post) por este blog deu frutos. Como a polícia foi chamada e o B.O. feito, algo tinha de acontecer. O inquérito policial foi aberto e estão agora reunindo as provas para que se possa julgar os acusados.
Recebi então uma ligação da polícia, uma vez que fui testemunha da pancadaria. O policial, conversou comigo educadamente por quase 20 min., em inglês, obviamente, já que meu sueco não seria suficiente nem para os primeiros 20 segundos.
Me foi perguntado como foi a briga, o que eu havia visto, como eram e o que disseram os brigões, quantos eram, e outras coisas normais. Entretanto o que mais me chamou a atenção foi a pergunta: “a porrada foi dada com punho fechado ou mão aberta?”.
Eu fiquei intrigado e perguntei ao policial que diferença faz como foi a porrada. Segundo ele, é diferente pois, se o punho estiver fechado, na Suécia, a intenção de agressão é maior. Se fosse mão aberta, disse o policial, talvez seja apenas para humilhar o sujeito, se defender, sei lá o que. Achei interessante. No fim da conversa, dei meu endereço, nome completo, número do visto de estudante e tudo mais, para quaisquer contatos futuros e o policial disse que todo o possível para solucionar o caso seria feito.
O que me chamou a atenção foi o fato de tão rapidamente os policiais terem reunido e procurado as testemunhas, pedirem informações de maneira tranqüila e educada e dizerem que as coisas seriam feitas da maneira mais rápida possível.
O que pode e provavelmente acontecerá é o agressor pagar uma multa para o agredido por danos físicos, além de ressarcir quaisquer danos materiais (no caso, a camisa do peruano foi rasgada) e fazer algum tempo de serviço comunitário. Os policiais também devem fichar o mano para o caso de qualquer reincidência.
Eu fiquei pensando cá com meus botões se algo assim tivesse acontecido no Brasil. Primeiro que logo no local, se a polícia desse as caras por lá (possibilidade remota), ia sobrar cassetetes até pro vizinho que acordou pra ver a briga. Depois se acontecesse de algum brigão ser preso (possibilidade remota), ele ia tomar mais uns cascudos da polícia, ouvir uns comentários do tipo “playboy”, “hoje você vai virar donzela da cela” e por ai vai e iria pra delegacia algemado.
Ao chegar à DP, uma ligação para seu pai seria feita. Dependendo de como o pai do camarada fosse, ele poderia ir lá, livrá-lo da cana, passar-lhe um sermão e pronto. Ou poderia apelar aos direitos humanos, dizer que seu filho não é marginal pra ser algemado, que a polícia é autoritária no Brasil, que são todos uns corruptos e tal. O fato é que o valente seria solto e provavelmente brigaria de novo algum tempo depois.
Se algum inquérito fosse aberto, seria logo fechado. Ninguém iria apurar o que aconteceu e nenhum responsável sofreria sanção alguma.
É óbvio que o Brasil tem problemas bem maiores e colocar cada um que briga na cadeia seria uma coisa muito complicada, mesmo que só por uma noite. Porém, não fazer nada com eles, ou dar mais porrada e mandá-los pra casa, só faz piorar os problemas. Talvez se houvesse um julgamento rápido, como o tribunal de pequenas causas e penas pequenas mas importantes fossem dadas (como prestar serviços comunitários em hospitais ou bairros pobres), a situação melhorasse.
Enfim, brigas acontecem em todo lugar. Claro que em alguns lugares, menos do que em outros, mas alguém sempre perde a cabeça de vez em quando. Como lidar com elas é que é a questão. Nessa, a Suécia dá um baile no Brasil.

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Ô loco.

3 03UTC setembro 03UTC 2009 por Peguete

A seguir a reportagem da Folha. Depois eu comento.  

 

03/09/2009 - 14h37

Governo chinês libera campeão mundial de tênis de mesa para namorar

da Lancepress

O governo chinês decidiu permitir que o atual campeão mundial de tênis de mesa, Wang Hao, 25, namore Peng Luyang, sua ex-companheira de equipe. Até então, o atleta era proibido de ter um relacionamento deste tipo com qualquer pessoa.

A informação foi dada pelo jornal estatal do país, que publicou também uma declaração do técnico de Peng, Qiao Yunping. Segundo ele "os dois já têm idade o suficiente, e isso é normal".

O controle restrito da vida pessoal dos atletas é um procedimento comum no sistema estatal de esportes da China, em que os esportistas começam desde cedo a treinar em escolas especializadas espalhadas por todo o país visando se tornarem medalhistas olímpicos.

Essas escolas fornecem treinos intensivos de diversas modalidades, além de comida, roupas e abrigo gratuitos.

Sob o olhar atento dos oficiais, atletas de alto nível são proibidos de namorarem ou casarem até certa idade. O acordo é endossado por contratos.

Atletas que namoram sem permissão correm o risco de serem punidos. Em 2004, Wang começou a namorar uma colega de equipe, Fan Ying. Os oficias descobriram e expulsaram a atleta da equipe chinesa.

De acordo com a imprensa local, Wang só não foi punido porque sua posição no ranking mundial era muito superior a de Fan.

Link da reportagem_____________________________________________________________________________________

Impressionante, não? O controle estatal comunista chega a pontos inimagináveis pra qualquer pessoa de fora.

O sujeito só pode namorar se o governo permite? Ô loco.

Para aqueles que acham isso o fim, leiam “1984”. George Orwell previu tudo isso. Na verdade, previu não é correto. Ele apenas descreveu o que se passava e ainda se passa, nos governos comunistas do mundo.

Isso que outro dia, lendo discussões em comunidades de esquerda do Orkut me deparo com a frase: “1984 é uma merda, não serve nem pra livro de banheiro”. Santa ignorância. O sacana que escreveu isso deveria ir pra China pedir autorização do governo pra namorar.

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Tem gente mentindo no movi!

27 27UTC agosto 27UTC 2009 por Peguete

Hoje estava pensando em escrever um texto mais leve, a exemplo do último, que atraiu mais comentários do que o normal. Mas a situação é um tanto quanto curiosa. E como nem todos os amigos do Juan são assíduos leitores e telespectadores de jornal, é importante informá-los.

Para aqueles que realmente não têm se informado, Lina Vieira, ex secretária da receita federal disse que teve um encontro com Dilma Roussef e que ela mandou que se agilizasse as investigações contra o filho de José Sarney que a receita estava fazendo (vá lá, Dilma não é, nem nunca foi superiora de Lina e não poderia mandar nada na receita federal, ainda mais quando incluía Sarney, aliado do governo, porque se pode agilizar pra aliados pode também retardar para adversários ou fazer o diabo a quatro).

Lina entendeu que agilizar significou encerrar, mas achou que aquilo foi apenas uma sugestão, ou sei lá o que. O fato é que depois que Lina disse em entrevista à Folha de S. Paulo que houve o encontro, Dilma, de maneira muito veemente, negou.

O problema está exatamente aí. Dilma não precisava ter negado o encontro, se falasse que tinha acontecido e que agilizar significou dar mais presteza, tudo estaria bem. Mas com a negativa e a posterior reconfirmação de Lina, uma bola de neve começou a se formar.

Foi a assessora de Lina que confirmou que houve conversas da assessora de Dilma para que uma reunião fosse marcada, o ex motorista da receita, disse também que levou Lina ao Planalto nas datas ditas pela ex-secretária e por ai vai. Sempre com Dilma negando e dizendo que alguém tem que comprovar, tentando mesmo descaracterizar Lina e mostrar pouca importância no fato, dizendo que era palavra contra palavra.

Querendo mostrar que era possível comprovar ou não o fato, a oposição – DEM, PSDB, PSOL – pediu então que os arquivos da segurança do Planalto fossem abertos para que se pudesse ver as placas dos carros que entraram no lugar e as imagens do circuito interno de TV. O chefe da segurança do governo disse então que não era possível, pois as imagens seriam apagadas (!!!!!!) depois de 30 dias e as placas oficiais não seriam nem anotadas (!!!!!).

Se trata da segurança do homem público mais importante do Brasil e as placas oficiais não são nem anotadas. Imaginem a quantidade de placas oficiais que existem..., nos outros governos estaduais de São Paulo e Minas, por exemplo, todas as placas são anotadas e guardadas por bem mais tempo. Enfim, todos acharam o fato muito estranho e a imprensa está em cima, tentando esclarecê-lo.

Assim, em reportagem do jornal nacional de ontem, foi lido no edital de compra do sistema de segurança do Palácio do Planalto que o sistema tem que armazenar as imagens por SEIS MESES e que depois desse período devem ir para um back up. Portanto, a não ser que nem os editais do próprio governo sejam mais respeitados pelo governo (????), tem gente mentindo no movi!

Claro que o governo agora vai tentar negar de todas as formas, não é... por mais incrível que possa parecer, já disseram “os dados ficam armazenados por 6 meses, mas as imagens apenas por 30 dias.” Eu fico me perguntando o que seriam “os dados” de um circuito interno de TV, será que não são imagens?

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Outliers amigos do Juan?

25 25UTC agosto 25UTC 2009 por Peguete

No avião tem-se muito tempo, especialmente em vôos mais longos. Pode-se por a leitura em dia, assistir a diversos filmes que a própria companhia aérea dispõe e mais tantos outros no notebook, dormir e por ai vai.

Tive sorte dessa vez. Ganhei um livro no mesmo dia que ia viajar de avião em dois vôos bem longos. O livro se chama “Outliers”, ou “Fora de Série”, em português e foi escrito por Malcolm Gladwell, que é jornalista, por isso assina uma coluna no New York Times e já trabalhou no Washington Post.

Em uma entrevista Gladwell se definiu como uma pessoa que trabalha como uma antena que recebe os sinais da academia e os repassa para o público. Assim como em outros livros, em “Outliers” o autor se baseia em vários estudos de grandes universidades, relacionando-os a casos muito conhecidos do público.

A principal tese do autor é - já muito batida por livros de autoajuda - de que não basta apenas ser talentoso, nem ter uma grande oportunidade, nem trabalhar muito, é preciso que tudo esteja junto. A pessoa de sucesso extremo seria aquela que tiver em seu passado, tudo o que seria necessário para alcançar o êxito máximo. Porém, o autor a define , traduz quais são as características necessárias para se tornar outlier, ou pelo menos as que foram necessárias para que grandes nomes se tornassem. Sempre se referindo às vicissitudes culturais/do ambiente que foram imprescidíveis aos realmente ótimos.

Então, crianças negras, brancas, ricas, pobres, etc, tem, em geral, a mesma capacidade, porém, por serem moldadas pelo ambiente de forma diferente, acabam por obter resultados muito diferentes em testes de inteligência e provas para ingressar nas universidades.

É um certo Darwinismo social/pessoal, em que o ambiente vai selecionando aqueles que se adaptam melhor e os outliers realmente foram selecionados, tendo todas as características para serem os mais eficientes no que fazem. Claro que é bem mais elaborado do que isso.

Deste modo, Bill Gates, Mozart e os Beatles têm muito em comum. Todos atingiram o sucesso imenso, marcaram uma geração e, provavelmente, jamais terão seus nomes apagados da história, mas isso só aconteceu, porque todos eles trabalharam 10 mil horas durante suas vidas até se tornarem bons. O número de 10 mil horas seria mágico, tanto que todos os ótimos em qualquer área do conhecimento ou atividade física só conseguiriam se tornar o que são com todo esse tempo de trabalho.   

A teoria vale também para o fracasso, ou seja, o ambiente modela o fracasso. Por isso, desastres de avião acontecem mais em companhias aéreas de países em que o poder é muito distante das pessoas, ou seja, o copiloto respeita muito o piloto e não tem coragem, por razões culturais de contrariá-lo, mesmo sabendo que está errado. Nesse caso, só com muito mais trabalho (10 mil horas, talvez?), o legado ambiental seria diminuido e desastres de avião, evitados.

Agora, voltando aos outliers amigos do Juan e analisando-os de acordo com o livro: Mateus e Gabriel Andantes são tão sinistros empresários aos 23 anos porque tiveram toda uma infância e adolescência que os levou a ter o tino para negócios que têm, com claro, 10 mil horas de trabalho no computador para que desenvolvessem o programa para monitorar as ações na bolsa.

Juan se dá tão bem com os estudos porque desde a infância foi classificado como bom aluno, provavelmente porque era mesmo, isso o levou a ser mais próximo dos professores, que davam mais atenção a ele do que aos outros, o que só fez melhorar seu desempenho acadêmico. Depois das 10 mil horas de estudo, tudo o que o garoto pega pra estudar é aprendido com maior facilidade do que por outras pessoas.

Para o resto, comigo incluído, não consigo pensar em nenhuma atividade que tenha sido realizada por 10 mil horas. Talvez eu tenha nadado por todo esse tempo, mas nem de longe sou um outlier. Contudo, não podemos nos abalar, com 3 amigos assim no grupo, podemos pegar carona no seu sucesso...

No mais, espero que nós, os amigos do Juan comuns, possamos viajar muito de avião para que nos dediquemos por 10 mil horas a alguma atividade e quem sabe então...

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Falando pelos cotovelos

23 23UTC junho 23UTC 2009 por Peguete

É sabido que o presidente Lula fala muitas coisas improvisadamente e sem que uma assessoria o aconselhe ou censure. O que se vê em certas situações é a total falta de percepção e discrição com falas sem, até mesmo, noção da realidade.
O texto não é uma discussão de governo nem partidária, não se quer dizer que por isso o atual governo ou o presidente são melhores, piores ou comparáveis a anteriores ou quaisquer outros políticos. Tampouco é uma discussão de dados, por exemplo, crescimento econômico e diminuição da pobreza. O que é sugerido é o fato de o presidente, por achar que é muito popular, falar diversas coisas que devem ser criticadas, até mesmo por partidários do governo ou do Partido dos Trabalhadores, para que não se repitam. O que quero evitar são discussões apaixonadas, como de futebol e tentar racionalizar o assunto.
Uma das últimas dessas declarações, que nem quero discutir, foi a de que o senador José Sarney não é comum, ou deve ser tratado como incomum. Sobre essa, é melhor ler a capa da última Veja. Outra bem contestável dita também há pouco, foi a que protege a reeleição do presidente do Irã, sabidamente anti semita, belicoso e que já sugeriu a destruição do Estado de Israel (independentemente de ele ter sido reeleito ou não, é muito controverso).
As declarações que quero discutir, porém, são a respeito da crise econômica e da questão ambiental, ditas há algum tempo, mas que, como as últimas causaram polêmica por serem absolutamente contestáveis.
O presidente disse em Londres, que essa era uma crise dos “loiros de olhos azuis”. Primeiramente e independentemente de razão na fala, essa declaração é racista, porque é óbvio que a crise não é culpa de nenhuma raça/etnia/o que queira se chamar e sim de todas elas, já que a crise começou nos EUA e há membros do governo (inclusive o próprio presidente americano) que não são loiros, nem mesmo brancos, um reflexo direto do povo, há gente de todo tipo. Se ainda assim se quiser interpretar e tentar, a partir da declaração, retirar algum significado do tipo: “os presidentes de empresas e bancos, riquíssimos e corrompidos pelo dinheiro e pelo poder, seriam os culpados”, não se chega a nenhuma conclusão racional, pois o presidente do Citi é indiano e não é branco e o presidente da Merrill Lynch é negro mesmo. Como se sabe, ambas as instituições foram pavios da crise.
A segunda declaração foi dita aqui no Brasil, segundo Lula, não se pode chamar os desmatadores da floresta amazônica de criminosos. Obviamente também, alguns dos desmatores são sim criminosos, se o código penal brasileiro for ser respeitado, claro. Então não só se pode como é obrigação do governo chamá-los exatamente pelo adjetivo e ainda cobrar multas e aplicar outros tipos de sanções por terem desrespeitado a lei.
É muito contraditório, já que poucos dias antes de abordar a questão ambiental dessa maneira, o presidente disse que o Brasil dá lição sobre meio ambiente para os países industrializados. O que parece é que, para cada grupo de ouvintes, Lula tem uma opinião diferente, para agradar a todos e ter a popularidade em alta, sempre. Sobre o assunto ver também a votação de uma MP assinada por Lula no senado, legalizando certos desmatamentos.
A presidência da república é uma instituição que deve ser mantida intocável, ou seja, o presidente deve, a todo custo, tentar manter o respeito e a integridade do cargo que ocupa. Uma das maneiras de se fazer isso é não dar declarações sem a menor noção do que acontece de verdade, para que não se crie situações incômodas dentro e fora do Brasil. Não se sugere aqui que o Brasil, por meio de sua presidência, abaixe a cabeça e seja subjugado por outros países ou instituições nacionais, quaisquer sejam. O tipo de situação é muito diferente, são aquelas em que se cria uma indisposição praticamente gratuita para com o Brasil e/ou o governo, por conta de falas esquisitas do presidente.
Assim, declarações racistas e a favor de desmatamento deveriam ser abolidas das falas presidenciais, assim como a defesa de deputados e senadores criminosos, como Renan Calheiros, José Sarney, entre muitos outros, apenas porque são articuladores da base aliada. Além, claro, de questões delicadas de política internacional, especialmente quando não dizem o menor respeito (imensa maioria das situações) ao Brasil. Outros assuntos de justiça deveriam ser deixados exatamente para o poder judiciário.
Deveria também haver um compromisso maior com a ética, dizendo isso de uma maneira geral, para todos os políticos, mas principalmente para o funcionário público número um. Sobretudo, porém, é preciso um compromisso com a realidade, para que declarações ridículas não sejam ditas pelo personagem político mais importante do Brasil.

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Comparações, parte 2

9 09UTC junho 09UTC 2009 por Peguete

No texto anterior uma tentativa de descrição de certos aspectos positivos da vida no Brasil foi exposta. Neste, o objetivo é o contrário. Por exemplos concretos, uma crítica será feita.
Talvez o fato de a defesa ter sido apresentada primeiro livrará a minha pessoa de estar “estrangeirado”, ou aliviará críticas como “se você prefere tanto, porque não fica pra sempre na Suécia”.
Um esclarecimento necessário é de que fazer dois textos não foi proposital, muito antes pelo contrário. Minha idéia inicial era de fazer uma crítica apenas, no decorrer do texto, porém, amadureci certos argumentos favoráveis ao Brasil e resolvi que um só, que expusesse ambos os pontos de vista, seria muito longo e enfadonho.
Concentrarei-me em um ponto principal, que se desdobra em dois, que acho essenciais para a compreensão do exame que pretendo fazer. Mas primeiramente é preciso que se entenda o real propósito da comparação, que não é mostrar puramente os defeitos do Brasil, todavia indicar um meio de solução, ou ao menos de melhora da situação caótica que existe.
O ponto principal é a imensa cultura de que o contribuinte tem de receber os impostos que paga em forma de serviços. Nessa terra, não se pensa só em trabalho e mesmo assim a produtividade de um trabalhador sueco é várias vezes maior do que a de um brasileiro.
Por aqui há 14 meses de licença paternidade/maternidade, digo isso porque a mãe pode dividir com o pai o tempo fora do trabalho. Claro que por alguns meses imediatamente posteriores ao nascimento, por razões óbvias, só as mamães podem ficar com os rebentos, mas a partir de certo período os pais também podem e são muito incentivados a tirar algum tempo logo no início da vida de seus filhos. Isso tudo recebendo 80% do salário.
As férias são de 5 semanas, ou seja, há 25% mais tempo de descanso remunerado por ano do que no Brasil. Se multiplicado por todos os trabalhadores do país é muito tempo “improdutivo”.
Há também vários outros tipos de regime de trabalho possível de se negociar com o empregador, como por exemplo, trabalhar apenas 50% do tempo por um período pré-fixado. Claro que esse tipo de negociação leva à redução de salário, mas são coisas possíveis que não são muito pensadas no Brasil.
O desdobramento do argumento inicial é o fato impressionante de, na Suécia, os cidadãos receberem serviços de muita qualidade e a mínima burocracia existente. Qualquer pessoa que vá permanecer aqui por mais de 6 meses, com um visto de estudante ou de trabalho, tem direito a um número de “segurança social”, que garante certas vantagens como facilidade para arrumar emprego, tirar outros documentos e se identificar perante outras instituições, além de garantir acesso à hospitais, claro, de graça. Isso demora umas 2 semanas para chegar por carta, depois do pedido que é feito em alguma agência dos correios.
Outro exemplo muito agradável é o fato de que qualquer pessoa pode se tornar membro da biblioteca pública e alugar quantos livros quiser pelo período de um mês sem que para isso precise mostrar nem ao menos comprovante de residência. Até na UFMG, que há um cadastro inicial ao passar no vestibular, os alunos precisam mostrar identidade e CPF para que se possa associar à biblioteca e lá independentemente de qual faculdade se estuda e quantas matérias se está cursando, só se pode alugar 5 livros de cada vez, pelo período de duas semanas.
Nas bibliotecas da universidade aqui, o conforto é semelhante ao das bibliotecas públicas. Qualquer pessoa do mundo pode ser sócia, desde que tenha um documento para comprovar sua identidade. Pode-se pedir quantos livros quiser de qualquer biblioteca universitária da Suécia! Chega em mais ou menos uma semana na biblioteca escolhida pelo membro. Sem contar a imediata e muito mais importante, grátis, retirada de documentos para outros fins, como por exemplo, um histórico das matérias.
O mais impressionante porém, é a facilidade de se renovar vistos de estudante ou trabalho. Aconteceu comigo por isso posso relatar. A única necessidade é levar a nova carta de aceite por parte do empregador ou universidade e em (pasmem!!) 3 horas, o novo visto estava impresso no meu passaporte.
A facilidade representada pelas circunstâncias criadas pela sociedade é um fator de muita diferença entre o nosso país e os nórdicos em geral. Infelizmente temos muito a percorrer para atingir esse estágio. É muito difícil entender porque não há um sistema eletrônico para ser usado quando se necessita de uma nova carteira de identidade ou CPF por exemplo. E a demora imensa em filas e depois para se pegar o documento. Mesmo na universidade não se pode retirar documentos ou livros sem um processo demorado e caro (5 reais para um histórico de, no máximo, 4 páginas).
O que me impressiona mais é que nem um debate no sentido de diminuir essa burocracia burra e dispendiosa há no Brasil. Independentemente de qual nível seja municipal, estadual ou federal, qualquer serviço é ruim.
Enfim, paraíso realmente, só na novela. Mas melhorar é possível e preciso. Nem custa tanto assim, é muito mais a vontade pessoal e governamental do que dinheiro mesmo. Os exemplos estão ai, a Suécia é um ótimo. E o desejo de aperfeiçoar?

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Comparações, parte 1

2 02UTC junho 02UTC 2009 por Peguete

Um tempo fora do Brasil faz com que reflitamos com maior densidade sobre como é a “pátria amada, mãe gentil”. Críticas ficam mais contundentes e defesas, mais apaixonadas. Por estar na Suécia, um país muitíssimo avançado em quase qualquer aspecto social e econômico que se queira analisar, minha reflexão fica ainda mais profunda porque a base para comparação é muito boa.
Tenho total convicção de que o Brasil tem milhares de vantagens indiscutíveis sobre qualquer país do mundo, independentemente do fato de minha família e meus grandes amigos morarem ai.
A proximidade no relacionamento das pessoas é uma delas. Na Suécia a distância entre os suecos e os imigrantes é imensa, é muito difícil ter amigos suecos, por exemplo. Pode-se passar anos sem um contato mais próximo com os habitantes que nasceram aqui, mesmo falando a língua e tendo contato profissional. Ao conversar com um brasileiro que já mora e trabalha aqui há 7 anos, ele disse não ter amigos suecos. Seus amigos são todos estrangeiros, não necessariamente brasileiros, mas imigrantes de outras partes do mundo. É tão óbvia a distância que até mesmo os suecos concordam, dizem que acontece mesmo, que é cultural.
Outra desvantagem óbvia daqui é o clima. Qualquer que seja a pessoa, até mesmo nascida na Sibéria, se incomodaria com o inverno daqui. Um dos meus professores é uruguaio e diz que sempre que quando volta ao seu país, lhe dizem que para ele o frio do Uruguai é bem ameno comparado ao da Suécia e por isso ele estaria acostumado. A reposta é sempre a mesma: “Al frio no se acostumbra nadie”. Eu mesmo cheguei já no fim do frio, em março, e ainda assim senti um incômodo grande. Imagino que nos meses de maior intensidade do inverno seja muito complicado.
As temperaturas nem são tão baixas, entre 10 graus negativos e 0 grau. Um grande problema é que o vento é muito forte, pois não há prédios muito altos e há uma grande influência do mar, já que o país é estreito, por isso a sensação térmica fica bem mais baixa. A maior dificuldade porém, é o fato de que durante vários meses frios não tem luz do sol durante o dia. Em grande parte do inverno o sol nasce entre 9 e 10 horas da manha e se põe entre 2 e 3 horas da tarde.
Claro que para o problema do frio há a solução de aquecimento interno, que por sinal, como quase todos os serviços suecos, é de primeiríssima qualidade. Mas sem sol as pessoas ficam menos interessadas em sair de casa, usam roupas mais escuras ficam de pior humor, ou seja, não tem jeito. É preciso então, que se tenha a expectativa condizente com a realidade do lugar, serão seis meses de aquecimento forte, sendo que mais ou menos 3 sem sol, dois de aquecimento fraco e quatro quase sem aquecimento, sendo 2 ou 3 com sol até quase 11 da noite.
O problema da falta de contato também não tem solução, já que não se pode mudar a sociedade toda. É claro, entretanto, que se pode fazer amigos suecos, mas mesmo entre eles, não há uma intimidade e proximidade assim como estamos acostumados no Brasil e imagino que em vário outros países do mundo. Assim para morar aqui, é preciso estar ciente disso também.
A qualidade de vida aqui nos Nórdicos é realmente muito grande e muito visível. Quase todos os problemas que demandam tecnologia e desenvolvimento econômico são solucionados com muita eficiência, como por exemplo, o aquecimento das casas. A “desgraça” está naquilo que é ruim e não se pode remediar diretamente. Paraíso é só na novela, amiguinhos...

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Gente boa e gente nem tão boa

20 20UTC maio 20UTC 2009 por Peguete

É curiosa a maneira como se da a relação entre pessoas. As primeiras impressões são muito independentes do resultado final. Claro que há pessoas mais chatas ou mais legais que já atraem os sentimentos bons ou ruins imediatamente, mas isso não é uma regra e muitas vezes enganos acontecem.
Aqui no prédio onde moro (que fica em Lund, na Suécia) cada estudante tem seu quarto e banheiro, mas existe uma divisão por corredor. Os corredores são formados por mais ou menos 10 quartos que dividem a cozinha e uma área comum com TV e mesa para refeições (fotos). Essa explicação só foi dada para fazer os amigos do juan entenderem que é necessário conviver com pessoas estranhas, que nos são apresentadas ao chegarmos aqui.

corredor

corredor


sala de TV com mesa

sala de TV com mesa


cozinha

cozinha


Muito bem. Uma dessas pessoas, que não merece ser exposta, me pareceu esquisita desde o início. Com poucos amigos e hábitos pouco convencionais sempre foi alvo de críticas pelos outros moradores do corredor. Apesar de não querer julgar o rapaz, não os culpo, pois realmente é muito difícil uma conversa de mais de dez minutos sem algum tipo de comentário desagradável, não no sentido de mal educado, mas uma conversa ruim mesmo.
Até ai é comum. Existem pessoas esquisitas e chatas em todos os lugares, isso não faz delas melhores ou piores num sentido moral, apenas devem ser evitadas. Isso foi exatamente o que pensei do sujeito, que me parecia estranho, porém não me dava motivos para nenhum julgamento de seu caráter. Opinião compartilhada pela maioria dos vizinhos que não tem simpatia alguma, inclusive alguns tem posições bem contrárias ao fato de ele existir e principalmente morar aqui.
Particularmente achava certo exagero. O sujeito é esquisito mesmo e tem lá suas bizarrices, mas volta e meia chamava-o para jogar bola, almoçar no restaurante universitário e outras atividades assim inofensivas. Tentava também deixar a conversa mais amena, falando de futebol brasileiro ou alguma outra coisa que ele não entende direito, para que não pudesse discordar com suas observações muitas vezes incômodas.
Só que um aumento na intimidade, por causa do tempo de convívio, leva ao conhecimento de certas falhas de caráter, algumas bem difíceis de compreender: Não é que o sacana, carregado de compras do supermercado, me encontra uma noite na cozinha e começa a guardar suas compras. De repente ele abre a mochila e diz: “carne de graça”. Eu pensei que era porque a validade estava acabando ou já tinha acabado e o supermercado deu para não desperdiçar, e perguntei: “o ICA (nome do lugar) da carne sem validade?” e a resposta devastadora: “não é só por na mochila e sair sem pagar, mas fiz isso porque esse bife só tem 200 gramas e custa muito caro.”.
Não quero ser um juiz implacável e moralíssimo, mas roubar um bife bonitão só porque é caro, é demais! Eu disse a ele: “não precisa explicar nada, aliás, nem fala comigo disso mais. E se você estiver com fome pode me pedir que tenho algumas coisas sobrando.”
Roubar por causa de fome é uma coisa que pode ser até considerada certa e mesmo se não, é perfeitamente entendida. Mas o que o cara fez é resultado de má índole mesmo. Nas compras tinha uma lata de “pringles” e outras coisas supérfluas e mesmo se não tivesse, se um bife de boi da melhor qualidade é caro, compra frango, meu chapa!
Esse sujeito não tem mais respeito ou simpatia de minha parte, agora, além de evitá-lo, vou esconder minhas coisas porque ele pode, de repente, achar que minha camiseta do Brasil é bonita e para ele seria complicado comprar uma igual.
Conviver é preciso, mas é perigoso.

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Andanças por aí

15 15UTC maio 15UTC 2009 por Peguete

Acabo de voltar de uma viagem a Tallinn, para aqueles que andam atrasados com a geografia, é a capital da Estônia, país pouco conhecido até para os europeus. As razões da viagem foram o preço, a oportunidade de conhecer um país completamente diferente e o fato de termos ido de barco, experiência inédita também.
É muito interessante e européia essa idéia mínima (no sentido de espaço físico e quantidade de habitantes) de nação. A Estônia tem 1,5 milhão de habitantes que falam estoniano, uma mistura de húngaro e línguas eslavas (finlandês principalmente), segundo os guias turísticos (obviamente não entendi uma palavra). É o último país dos três estados bálticos (para aqueles mais atrasados ainda com a geografia são Estônia mais ao norte, Letônia no meio e Lituânia mais ao sul).

parte consevada dos muros construídos há 800 anos

parte consevada dos muros construídos há 800 anos


A civilização estoniana existe documentalmente há mais de dois mil anos, porém como nação independente a história da Estônia é bem recente. Aconteceu que por ser realmente mínima e com poucos habitantes sempre houve alguém para dominar a “última esquina” da Europa quando os estados nacionais se formaram.
Inicialmente foram os suecos que tomaram a região no sec. XIV. Depois príncipes germânicos marcharam com seus exércitos e se tornaram os líderes, porém os suecos conseguiram novamente obter a região em outra guerra, o que, segundo o guia turístico foi bom pois as primeiras escolas e universidades foram estabelecidas. Por fim o império czarista russo conquistou a região, que permaneceu como russa até o fim da primeira guerra mundial, já que a Rússia também havia passado pela Revolução.
A independência da Rússia, porém durou apenas pouco mais de duas décadas, pois após a segunda guerra mundial a União Soviética invade de novo a Estônia e impõe o sistema uni partidário com os comunistas ligados à Moscou no poder.
Com o fim da URSS a Estônia foi um dos primeiros países a se declarar independentes e ser reconhecida como nação pelos demais países do mundo. O período soviético foi muito ruim para a maioria dos estonianos, segundo o guia a economia do país era comparável à da Finlândia no fim da Segunda Guerra, além das milhares de pessoas massacradas pelo regime, dentre elas o então presidente estoniano, que foi exilado na Sibéria e morreu em um campo de trabalho alguns anos depois. Os russos também modificaram bastante a etnia local já que milhares de novos trabalhadores russos foram levados à Estônia, fazendo com que atualmente 30% da população seja russa ou de ascendência russa.
Em 2004 o país passou a fazer parte da União Européia, mas ainda não adotou o euro como moeda. Foi muito interessante também o fato de não ser necessário mostrar meu passaporte uma única vez na viagem, um dos confortos de viajar por lugares pacíficos e com vontade de se integrar cada vez mais.
algumas coroas estonianas

algumas coroas estonianas


Não tive muito tempo para realmente conhecer a cidade, pois por razões de preço tive que ficar lá por pouco mais de 12 horas (passar mais uma noite seria caro e difícil, já que o barco tinha quase 2000 pessoas). Mas Tallinn é bem pequena, apenas 400 mil habitantes, então o passeio pelo centro histórico, por sinal um dos mais bem conservados da Europa, com mais de mil anos, e principais atrações turísticas foi plausível.
Inicialmente fiz um tour com um guia estoniano que foi bem enriquecedor, pois, apesar de ter lido um pouco sobre o país em guias turísticos, é sempre melhor que alguém com mais conhecimento físico do lugar possa dar conselhos sobre aonde ir e quanto tempo e dinheiro gastar em cada lugar. Uma curiosidade interessante dita por ele é que a Estônia é o país mais ateu da Europa, pois ali há uma tradição de paganismo, além de a religião ter sido muito restringida na época soviética.
É bem perceptível a relativa pobreza do lugar comparado à outros países europeus do oeste, mas também pode-se perceber uma grande evolução do período soviético com muitos prédios novos, casas bem pintadas e coloridas. Além de a cidade ser bem limpa e conservada.
Os preços são razoáveis e pode-se comer bem por 7 a 8 euros, apesar de a moeda local ser a Coroa Estoniana ou EEK, que não vale muito comparada ao euro e é usada apenas na Estônia. A comida é comum, bastantes batatas e peixes, até procurei saber, mas não encontrei nada de tipicamente estoniano nos menus. Sempre há a opção fast food, que também é bem barata, com um Big Mac sendo quase a metade do preço do Brasil.
As pessoas são muito loiras, tão loiras que perdem a cor saudável. Mas são bonitas para aqueles que curtem esse tipo de beleza. Vestem-se como praticamente em qualquer lugar do mundo e não falam inglês tão bem. Quando pedi ajuda na rua para me situar fui bem auxiliado por uma pessoa jovem, que tinha muita dificuldade para falar inglês, mas muita disposição para ajudar.
A experiência foi muito interessante e inusitada já que é um país que poucas pessoas teriam como destino. Valeu muito a pena ter conhecido, apesar de não muito, a Estônia já que não penso em voltar lá, a não ser em uma outra oportunidade como essa.

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