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Ensaio sobre as três peneiras de Aristóteles (ou Sócrates?)

15 15UTC outubro 15UTC 2009 por Inimigo do Ritmo

Lembro da D. Gemma nas aulas de Desenvolvimento Humano (algo como aula de religião em uma escola laica) do Sebrae contando a estória das três peneiras de Aristóteles. Achei a estória interessante na época e também nunca vou esquecer de alguém (acho que o Leandro) falando que as peneiras da Lorena "pareciam bambolês". Pesquisei recentemente na internet e achei N versões da história por ai, copio uma abaixo, onde trocaram o protagonista por Sócrates:

Augustus procurou Sócrates e disse-lhe:
- Sócrates, preciso contar-lhe sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de...
Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:
- Espere um pouco Augustus. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras?
- Sim, A primeira, Augustus, é a da VERDADE. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?
- Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!
- Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a BONDADE. O que vai me contar gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
- Não, Sócrates! Absolutamente, não!
- Então suas palavras vazaram também a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a NECESSIDADE. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?
- Não, Sócrates... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.
E Sócrates conclui:
- Se passar pelas peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia(ninguém aqui gosta disso...) entre irmãos.

Pôoooo Sócrates, cadê a diversão? Mas a estória é bacaninha. Não consegui achar a origem, nem confirmar se isso foi realmente criado por um filósofo famoso. Acho que é historinha da cultura popular mesmo, coisa de corrente de e-mail... Caso alguém ache avise que eu faço um update.

Agora proponho pararmos parar pra pensar no tanto de merda que falamos. Qual das suas três peneiras é a mais estragada? Para causar polêmica/discussão coloco aqui minhas opiniões sobre as peneiras dos AmigosDoJuan, citando a que eu acho ser a mais prejudicada de cada um.

  • Mr. Abduzido: NECESSIDADE. Totalmente desnecessário dizer algumas coisas como:  "Juan, a pessoa X também me falou mal de você, mas não vou contar o que foi não."
  • O coleguinha que nunca tomou toco na vida: NECESSIDADE também,apesar de ter, em geral, as peneiras em bom estado, este coleguinha muitas vezes é uma fonte de espalhamento de notícas e segredos.
  • Pegadinha: NECESSIDADE, assim como eu perde o amigo mas não perde a piada.
  • Peguete: Acho que o Mick tem as melhores peneiras da galera. Se fosse pra eleger uma seeria a NECESSIDADE também, acho, mas não de uma maneira ruim. Idem o Pegadinha.
  • Só Vim pra Dançar: Nem tenho como opinar. As peneiras dele costumam ser boas.
  • Frotinha: me recuso a ter de dizer, quem não souber vai pro hospício.
  • Shakira: NECESSIDADE, fácil. Desde quando é necessário falar que tal ou tal cara é gatinho?
  • Zé Bonitim: Tem boas peneiras também. Vou falar NECESSIDADE somente pelo seguinte: precisa mesmo repetir 3 vezes o mesmo caso? Beleza que as vezes repete só o final, mas...
  • Domingos: VERDADE. Muitas vezes exagerado e bom em contar casos que começam com "vocês vão achar que eu to falando mentira mas escuta só...".
  • Eu: Aredito que NECESSIDADE, garantido. Sendo mais bobo que a média minhas peneiras falham no sentido de "perco o amigo mas não perco a piada". E cada vez mais o estresse e a falta de paciência as vezes furam a da BONDADE também.

Só deixar bem claro que, se a peneira de todos fosse perfeita, a vida seria bem menos divertida. Pretendo preocupar-me pouco com as minhas. E o fato da peneira da NECESSIDADE ser, na minha opinião, falha comum da galera, só nos torna mais divertidos.

Uma coleção de peneiras da verdade do Sr. Frotinha.

Uma coleção de peneiras da verdade do Sr. Frotinha.

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BH é um ovo

18 18UTC setembro 18UTC 2009 por Pegadinha

Caros amigos gostaria de discutir nesse post um conceito que todo belorizontino repete: "BH é um ovo". Eu morei em BH a vida inteira e acho que a ocorrência de encontros com pessoas conhecidas quando estou fora de casa é enorme, além de ser possível traçar ligações entre você e qualquer outro belorizontino que se conheça por ai, seja em BH ou fora. A funcionalidade "amigos em comum" do orkut muitas vezes mostra isso.

É comum encontrar amigos, amigos de amigos, parentes de amigos, colegas de infância, ex-vizinhos, entre outros em qualquer lugar que se vai, seja na rua indo pra uma consulta no médico, no boteco do seu bairro ou da região onde constuma sair, no shopping, na fila do banco, no trânsito, na exposição do interior de qualquer cidade aqui perto, na GIRUS, e por ai vai. Sem contar nos rostos de desconhecidos que sempre encontramos em vários lugares que vamos e acabamos guardando de tanto ver.

Creio que ser uma cidade grande (2.434.642 habitantes segundo estimativa do IBGE para 2008, número que chega a 4 milhões se considerarmos a grande BH), mas não enorme como São Paulo (10.990.249 habitantes segundo estimativa para 2008) em conjunto com vários outros fatores criam esse "efeito ovo" em BH, alguns desses fatores que considero relevantes:

  • Tamanho relativamente pequenho: em condições normais é possível fazer o caminho entre os dois pontos mais distantes da cidade em uma hora de carro.
  • Concentração das opções de entretenimento: os principais bares, boates, restaurantes, cinemas, etc. encontram-se na mesma região, aproximando as pessoas que estão na rua para diversão.
  • O belorizontino (e o mineiro) é gente boa: em BH é muito fácil conhecer novas pessoas e fazer novos amigos. É tranquilo levar um amigo (tá bom, quase qualquer amigo...) para um churrasco de outra turma, sentar em um bar e trocar idéia com as pessoas da mesa do lado, etc. Assim em BH a gente acaba tendo mais relacionamentos.

Esses fatores acabam gerando várias situações para nós belohorizontes nas quais a "coincidência" é tão grande que falamos: "É, BH é mesmo um ovo.". Algumas dessas situações que recentemente aconteceram comigo ou com conhecidos:

  • Ovo ruim: Uma menina adiciona um amigo no msn, esse meu amigo não conhecia a dita cuja. Conversando com ela descobre que ela viu ele no orkut de uma amiga em comum e pediu o msn dele para essa amiga. Meu amigo ficou feliz achando que tinha ganhado um "lanche", quando ele vai no orkut da dita cuja percebe que eles possuem 2 amigos em comum: a amiga que tinha passado o msn dele para ela e outra garota com quem meu amigo estava ficando na época.
  • Ovo bom: Minha namorada é uma antiga conhecida, a meia irmã dela estudou comigo durante o ensino médio (2002-2004). Nessa época nos conhecemos, quando entrei na faculdade mantivemos contato, encontramos e ficamos algumas vezes (2005), depois perdemos contato. Ano passado ela começou a faculdade na mesma sala da minha ex-namorada e da namorada de um amigo, foi quando fui relembrado da existência dela por causa de uma situação curiosa e pedi para essa namorada do meu amigo me avisar quando for sair com ela. A namorada do meu amigo me avisou, fui atrás, encontrei com ela, ficamos por um tempo e hoje estamos namorando tem mais de ano já.
  • Ovo: Comecei esse ano um novo curso na faculdade, fiz amizade com as pessoas da minha sala e fiquei amigo delas no orkut. Uma das minhas novas amigas no orkut tinha vários amigos em comum comigo, que incluem pessoas dos 3 colégios que estudei, um amigo de carnaval (pé na cova), pessoas da engenharia de produção e a namorada de um amigo meu junto com as amigas dessa namorada. Eram muitos amigos em comum (uns 20) e fomos conversando e descobrindo de onde ela conhece esses conhecidos meus e vice-versa.

Queria finalizar apresentando um fruto dessas conversas com minha colega de sala. A irmã dela estuda junto com a namorada de um dos grandes amigos do juan e conversando sobre isso minha coleguinha me falou da existência dessa pérola:


http://www.youtube.com/watch?v=h0haiKHxELs

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Estrada para o sucesso

18 18UTC setembro 18UTC 2009 por Inimigo do Ritmo

Copiado diretamente do Velho. Faz refletir um pouco. Cliquem para ampliar.

the-road-to-success

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Coisas pra ficar puto com a igreja

10 10UTC março 10UTC 2009 por Inimigo do Ritmo

Todo padre é pedófilo?

Todo padre é pedófilo?

Todo mundo viu, ta em tudo quanto é lugar, "ta na caras, ta na capa da revista", o caso da menina de 9 anos que, grávida de gêmeos após um estupro, sofreu um aborto. Ai chegou o arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho e excomungou todos envolvidos nessa história ai.


O caso ta bombando na internet (mais ainda após este post). Um dos posts mais bacanas que eu achei na net foi do Danilo Gentili (do CQC) em seu blog. Ele está copiado na integra ai embaixo.











07/03/2009 - UM PADRE MUITO EXCOMUNGÃO

O arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, ganhou atenção mundial quando excomungou pessoas que auxiliaram uma vítima de estupro de 9 anos. Qual é a desse padre? Ele ligou a TV de noite e viu pastor num canal, pastor no outro, pastor no outro e pensou: "Ah não! Também quero aparecer na TV. Mas eu não sei cantar. Então vou dar uma de cuzão mesmo".

Só não excomungaram a menina porque ela ainda é uma criança. E esse é o melhor que a Igreja consegue fazer por uma vítima de abuso infantil: Você até que passa. Mas sua mãe mandamos pro inferno.

A Igreja fez de tudo para impedir na Justiça o aborto de vítima infantil. Devem ter usado os mesmos argumentos que usaram para impedir o estuprador de usar camisinha.

O médico disse que a única forma de salvar a vida da criança de 9 anos era fazendo o aborto. E o padre disse que tirar uma vida mesmo se for pra salvar outra é contra a lei da Igreja. Os hippies tinham razão. Jesus foi um rebelde.

O padre excomungou da igreja os médicos que tiraram os fetos da menina. Mas não o estuprador que os colocou lá. Segundo o bispo: "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é?". Deixa eu adivinhar: Ser um padre idiota?

Isso significa que a mãe da menina e os médicos não podem mais frequentar as atividades da igreja. Mas o estuprador de criança sim. Católicos: próxima novena tomem cuidado em que casa deixam o menino Jesus.

Agora com a menina fora da igreja e precisando de apoio vai rezar pra quem? Pros orixás? E se o padre ver isso vai dizer: "Tá vendo. Por isso excomunguei. Além de assassina é herege".

O padre achou certo excomungar a mãe da vítima e a equipe médica que fez o aborto. Ele só não excomunga mesmo gente que abusa de criança. E com certeza é pra manter a ordem na Igreja. Afinal ele e seus colegas precisam estar lá pra rezar a missa domingo.

O objetivo deste post não é criar polêmica. Até mesmo que uma galera aqui é ateu/agnóstico, e na média somos todos muito pouco religiosos. É só pra xingar uma situação que é de deixar puto, mesmo. Vontade de pedir pra ser excomungado também, o modelo tai no link. Qualquer discussão de religião hoje em dia é realmente grotz (vide Igreja Universal, Israel x Palestina, 11 de setembro, etc.).

Dentro da religião católica queria que o "Evangelho de Tomé" que é mostrado no filme Stigmata fosse verdade e aceito. Um "versículo" (não sei mesmo qual é o nome) desse evangelho:

77. Disse Jesus: Eu sou a luz, que está acima de todos. Eu sou o “Todo”. O Todo saiu de mim, e o Todo voltou a mim. Rachai a madeira – lá estou eu. Erguei a pedra – lá me achareis.

No filme tinha uma parte que complementava falando algo do tipo "eu não devo ser adorado em templos de pedra ou de madeira..." ou coisa do tipo. Ou seja: nada de ficar indo na missa domingo. Quer rezar? Para ai reza porra. E não deixa nenhum padre encher a porra do seu saco.

Engraçado que 99,9% dos católicos do mundo são do tipo "flexíveis", que praticam só a parte mais comoda dos mandamentos e do que mais teriam que praticar (ir a igreja todo domingo, não comer não sei o que na quaresma, não comer criancinhas, etc). E nem o clero escapa, olhem que legal, este trecho de uma entrevista de um padre que achei:

...Existe uma compreensão bastante ampla no sentido de promover a cidadania homossexual. O magistério eclesiástico pede solidariedade com as pessoas homossexuais, combate à discriminação e à violência. Os documentos “Declaração Persona Humana” (1975), “Carta aos bispos da Igreja Católica” (1986), “Considerações sobre propostas de leis não discriminatórias” (1992) e “Considerações sobre as uniões entre pessoas homossexuais” (2003) abordam a temática de um modo geral, colocando o posicionamento teológico e social do magistério. Entretanto, a Igreja tem dificuldades, no sentido de que ela não aprova as relações homoeróticas como forma de vida familiar, porque não constitui família (nuclear) e nem procria.

Ai padres homessexuais pedófilos, pelo menos a parte do homossexualismo foi liberado procês, ou estava no seus planos constituir família?

Eu mesmo sou um católico nada praticante pelo menos até vovós morrerem. E no meu direito, assim como os membros do clero, de concordar só com uma parte do pacote, sou contra a postura do arcebispo que excomungou os envolvidos no aborto da menina.

Fechando, uma boa notícia que li no Filtro de hoje:

Mundo
9. Obama libera verbas para pesquisa com células-tronco

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, empolgou a comunidade científica ao derrubar um ato de seu antecessor, George W. Bush, que proibia o financiamento de pesquisas sobre células-tronco com verba federal. “Tomaremos decisões científicas baseadas em fatos, não em ideologia.” Sem dúvida, é um avanço depois de um período de restrições absurdas – era vetado até a um pesquisador usar um programa de e-mails para falar sobre células-tronco num laboratório mantido com dinheiro público –, mas o The New York Times diz que a atitude de Obama “não vai divorciar a ciência da política” ou “separar a ideologia das decisões presidenciais”. Em suma: os cientistas não devem se iludir em relação a uma autonomia completa para guiar políticas públicas.

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‘O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE’

11 11UTC fevereiro 11UTC 2009 por frotinha

Bem ,
Atendendo a solicitação do Fred de  colocar no blog algo que tenha substancia e alguma crítica política ou social, recebi esse e-mail e chequei se era mais uma daquelas  coisas inventadas, daí achei vários blogs que postaram esse  texto, fazendo referencia a uma  suposta  reportagem  publicada  no "Diário de São Paulo", não achei a reportagem propriamente, mas como é uma coisa que está circulando nos blogs , resolvi postar porque achei interessante. Aí vai: 

 

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado sobre
'invisibilidade pública'.

Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Por Plínio Delphino

Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.

Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

- O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

- E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

- E quando você voltava para casa, para seu mundo real?

Eu chorava. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.

Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida! 

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EXTRA! EXTRA! Banda Calypso é indicada ao prêmio Nobel da Paz

3 03UTC fevereiro 03UTC 2009 por Inimigo do Ritmo

Fato....

Direto do Terra.

A banda paraense Calypso foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, segundo a assessoria da banda. A oficialização será realizada no dia 15 de fevereiro, um domingo.

A indicação de Joelma, Chimbinha e companhia deveu-se a "seu relevante trabalho humanitário em prol dos carentes da região Norte", informa uma nota oficial do Comitê da Paz.

O evento oficial de indicação vai acontecer durante uma partida de futebol e uma apresentação da banda no estádio do Mangueirão. O preço do ingresso ainda não foi divulgado.

Mudou minha vida... só falta eles ganharem agora.

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Ser empregado! (Quanto vale seu trabalho)

26 26UTC janeiro 26UTC 2009 por Zé Bonitin

Tirando a perobagem shakirante do indivíduo, eu achei bem bacana a maioria das coisas que ele disse. Vale a pena conferir, pelo menos pra criticar.

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Simplifique.

15 15UTC janeiro 15UTC 2009 por abduzido

simplifier

Tá aí um menino danado de esperto.

Retirado do blog palavrear no alpendre.

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Conversa de mesa de bar

10 10UTC dezembro 10UTC 2008 por Peguete

Em uma discussão de mesa de bar começamos a falar sobre pena de morte. Um assunto muito delicado, ainda mais aqui no Brasil, lugar em que passar mais de trinta anos na cadeia é raridade.

Há vários argumentos contra, as organizações de direitos humanos inclusive a ONU, em geral dizem que o estado não tem a competência de definir se uma pessoa morre ou não. Filmes também foram feitos sobre o assunto, como “A Vida de David Gale”, em que um respeitado professor de filosofia, que já havia publicado livros etc, se torna ativista contra a pena de morte nos Estados Unidos. E em uma discussão em rede nacional com o governador do Texas (estado norte americano que mais condena a pena de morte e executa prisioneiros), fica sem mais argumentos quando este pergunta se alguma vez um prisioneiro inocente foi executado.

Realmente é muito delicado decidir sobre a vida de alguém, por razões que não precisam ser expostas aqui, afinal o direito a vida é muito defendido por qualquer cultura/religião/sociedade do mundo e quase ninguém gostaria de morrer. Apesar de que várias religiões legitimam guerras e assassinatos de infiéis, inclusive por apedrejamento (que acontece até hoje em certos países muçulmanos, ainda que o judaísmo também tenha esse tipo de morte prevista em escritos sagrados), crucificação, entre outros.

Existem também, argumentos mais fortes, sem influência religiosa, pró pena de morte que seriam razoáveis. O livro de Truman Capote, “A Sangue Frio” por exemplo, narra a história real de dois assassinos que, no fim dos anos 50, em uma noite entraram na casa de uma família com quatro pessoas pensando que lá havia dinheiro. O resultado é que não havia nada de valor e os dois bandidos mataram todos os membros da família com tiros de espingarda na cabeça.

A Sangeu Frio

Crimes como esse acontecem no mundo todo e o argumento é baseado nisso, o tipo de pessoa que comete esse tipo de crime não tem condição de se recuperar e voltar para a sociedade. Existiria no mundo então a má índole, uma característica que certas pessoas têm e que independentemente de criação familiar, de exposição social e tudo o que possa acontecer, a pessoa continuaria sendo má e cometendo crimes. Como no livro, um dos assassinos teve uma família normal de classe média e viveu normalmente sem dificuldades ou maiores problemas.

Por isso, ou para resolver esse tipo de situação, a sociedade, para alguns, teria que tirar de maneira permanente esse tipo de pessoa do convívio social. Mantê-las presas seria também válido, porém, o argumento para isso seria o de que a sociedade não deveria pagar, com seus impostos, para pessoas que nunca terão condição de se recuperar, se mantenham. Assim a pena de morte funcionaria bem para esse tipo de gente.

Outra discussão também possível a partir disso é a de que se a pena capital fosse comum, outras pessoas não cometeriam crimes, com medo de serem condenadas. Talvez o medo da conseqüência evite que até mesmo pessoas más cometam crimes bárbaros.

No Canadá, por exemplo, isso não é verificado. Os índices de homicídios por 100 mil habitantes eram 44% menores em 2003 do que em 1975, ano em que a pena de morte foi abolida no país.

Segundo a ONU, baseada em estudos feitos por todo o mundo, isso é uma tendência mundial, usar ou não de pena de morte não tem relação direta com a variação da taxa de homicídios e por isso a Organização faz muita pressão para que a prática seja abolida em todos os países do mundo. O que tem acontecido é que em geral os países que ainda executam prisioneiros por pena capital o fazem em menor número, com exceção da China e do Iraque, que ainda têm julgamentos no mínimo questionáveis e execuções sumárias.

Os argumentos são fortes para ambos os lados, mas os estudos sobre a questão são irrefutáveis, além de a decisão sobre interromper a vida de alguém ser muito complicada, mesmo quando é uma comissão de juízes com muito estudo sobre o assunto e muitos anos de experiência. Nesse sentido seguir a decisão da ONU seria a única opção racional e não baseada em questões religiosas/culturais.

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Menos Televisão e Mais Platão

27 27UTC novembro 27UTC 2008 por Shakira

Este semestre estou cursando a cadeira de Introdução a Filosofia da Ciência junto ao primeiro período de Comunicação. É uma experiência interessante assistir uma aula no 8º período com uma turma de calouros. Especialmente neste caso, quando a aula é de filosofia e o curso está longe de ser um curso científico ou guiado pela ética (como no caso de direito). Acho que é justamente da “irrelevância” da filosofia para o curso que surgiu a seguinte indagação de um dos alunos: “Ô fessor, qual é a utilidade da filosofia? Tipo assim, engenharia serve pra construir as coisas, né? Comunicação pra fazer propaganda e tals.. E filosofia? Pra quê que serve?”

É claro que eu já pensei assim também. Sempre fui mais inclinado pra área de exatas. Gostava também de história e acabei escolhendo Ciências Econômicas por causa disso. No ensino médio, não gostava muito de filosofia. Achava uma viagem sem sentido. É exatamente pra despertar o interesse dos meus amigos em relação ao assunto, que queria dar a resposta de dois filósofos contemporâneos a esta questão colocada por meu colega, e também por muitos de nós. Qual seria, afinal, a utilidade da Filosofia?

Marilena Chauí escreve em seu livro de introdução a filosofia: “Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes”.

Já Luc Ferry, um dos maiores filósofos vivos, ex-ministro da educação da França, e um eterno defensor da busca pela salvação filosófica, afirma no prólogo de seu livro Aprender a Viver: “(...) adquiri, ao longo dos anos a convicção de que para todo indivíduo (...) é valioso estudar ao menos um pouco de filosofia” uma vez que “(...) sem ela, nada podemos compreender do mundo”. Afinal todas as opções de idéias “foram inicialmente construções metafísicas antes de se tornarem opiniões oferecidas como que num mercado. Estudá-las em seu melhor nível, captar-lhes as fontes profundas é se oferecer os meios de ser não apenas mais inteligente, mas mais livre”.

Então, meu caro futuro jornalista, se você pretende ser livre de verdade, ou seja, escolher pela sua própria razão em qual teoria científica acreditar, decidir se para você Deus existe ou não (ou até mesmo se essa questão é relevante), eleger por conta própria quais máximas da moral vigente em nossa sociedade seguir ou não, então sugiro que abra o livro daquela matéria “inútil” que você manteve fechado durante tanto tempo.

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