Há algumas noites fui encontrar um amigo peruano na saída de uma festa. Estava esperando por ele na porta, quando um sujeito de ascendência árabe começa a conversar comigo do nada, falando em sueco. Não entendi exatamente o que ele disse, então ele falou em inglês, um papo de bêbado querendo amizade, mas esquisito. Como eu não estava na mesma vibe e o cara já encostou em mim, eu saí andando e o ouvi me xingar em sueco e dizer em inglês pra sair do país dele.
Normalmente eu ficaria puto, primeiro porque o país não é dele, depois porque eu estava na paz, quando ele veio me incomodar, mas este dia não. Continuei andando e nem olhei para trás, como se nada tivesse acontecido, pra que o cara não viesse tirar satisfação.
O problema começou quando meu amigo saiu da festa. Como ele adora falar que briga bem e que já fez 131908 anos de luta (será que isso não lembra certos gêmeos?), juntou-se a fome à vontade de comer. Foi o árabe chegar perto e falar alguma coisa, que puseram-se num empurra-empurra.
Como um ataque de abelhas, mais uns 15 árabes chegaram não sei de onde e um deles, mais esquentado, deu um murro na boca do peruano. Nessa hora os nervos de todos explodem, mas por causa do número de árabes brigões, eu fui separar a confusão, não iria brigar de qualquer maneira. Tomando empurrões, eu e mais alguns amigos do peruano, entramos no meio da briga e fomos conversar com os manos.
O cara me disse que meu amigo é que o havia xingado primeiro e ele apenas reagiu – convenhamos, como um animal – dando o murro. Disse também que não queria mais briga, mas que ele e seus amigos eram uma gangue de 200 pessoas (falou esse número mesmo!) e, em tom de ameaça, que se eles apanhassem no dia, voltariam com o resto pra, digamos, acertar as contas. Ou seja, não quero briga, mas estou muito afim que vocês queiram pra eu poder brigar.
Aí eu pensei com meus botões: “porra, as famílias dos caras vêm pra Suécia, eles têm tudo do bom e do melhor (educação, saúde, outros auxílios financeiros, etc) e ainda formam gangues pra bater nos outros estrangeiros, que como eles, estão aproveitando”.
Não que eles tenham alguma dívida com a Suécia, apesar de que se pode pensar assim, mas ser xenófobo num país que te recebeu e que te deu a cidadania é dureza. Realmente não dá pra entender.
Conseguimos separá-los e não houve mais briga. Mas claro que depois dos murros, os xingamentos continuaram de ambas as partes e o peruano que apanhou falou que todo árabe é terrorista e que esses caras fodem a reputação de todos os imigrantes honestos e pacíficos. Opinião (apenas a segunda, claro) que eu compartilho.
A polícia foi chamada e dois dos manos foram presos e passaram a noite na cadeia e o peruano fez questão de dar o depoimento e fazer o equivalente ao B.O.. Eles devem ser processados, não sei ao certo.
Não quero tirar a culpa de ninguém, o peruano talvez merecesse apanhar mesmo. Contudo, os caras foram lá brigar, se não, um deles não teria me xingado e me mandado de volta pro meu país só porque eu não quis conversar com ele.
O fato é, que a partir de então eu comecei a me preocupar com isso. Várias vezes vi árabes nas ruas e nada me tirava o sossego, agora não mais. A briga e, principalmente, o que o sujeito me disse, me deixaram com medo.
Não pretendo com isso, dizer que árabes são assim ou assado, só que, somos responsáveis por aquilo que representamos. No caso, uma etnia. Sei que é preconceito e estou julgando todos por uma situação envolvendo 15, mas, se o que o cara disse for verdade, há mais uns 150 árabes na gangue, prontos pra brigar com outros estrangeiros.