Achei uma tirinha protagonizada pela minha pessoa (de azul) e por vários amigos do juan (menos o Pegadinha)!

Cyanide & Happiness @ Explosm.net
Achei uma tirinha protagonizada pela minha pessoa (de azul) e por vários amigos do juan (menos o Pegadinha)!

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A briga relatada na semana passada (link do post) por este blog deu frutos. Como a polícia foi chamada e o B.O. feito, algo tinha de acontecer. O inquérito policial foi aberto e estão agora reunindo as provas para que se possa julgar os acusados.
Recebi então uma ligação da polícia, uma vez que fui testemunha da pancadaria. O policial, conversou comigo educadamente por quase 20 min., em inglês, obviamente, já que meu sueco não seria suficiente nem para os primeiros 20 segundos.
Me foi perguntado como foi a briga, o que eu havia visto, como eram e o que disseram os brigões, quantos eram, e outras coisas normais. Entretanto o que mais me chamou a atenção foi a pergunta: “a porrada foi dada com punho fechado ou mão aberta?”.
Eu fiquei intrigado e perguntei ao policial que diferença faz como foi a porrada. Segundo ele, é diferente pois, se o punho estiver fechado, na Suécia, a intenção de agressão é maior. Se fosse mão aberta, disse o policial, talvez seja apenas para humilhar o sujeito, se defender, sei lá o que. Achei interessante. No fim da conversa, dei meu endereço, nome completo, número do visto de estudante e tudo mais, para quaisquer contatos futuros e o policial disse que todo o possível para solucionar o caso seria feito.
O que me chamou a atenção foi o fato de tão rapidamente os policiais terem reunido e procurado as testemunhas, pedirem informações de maneira tranqüila e educada e dizerem que as coisas seriam feitas da maneira mais rápida possível.
O que pode e provavelmente acontecerá é o agressor pagar uma multa para o agredido por danos físicos, além de ressarcir quaisquer danos materiais (no caso, a camisa do peruano foi rasgada) e fazer algum tempo de serviço comunitário. Os policiais também devem fichar o mano para o caso de qualquer reincidência.
Eu fiquei pensando cá com meus botões se algo assim tivesse acontecido no Brasil. Primeiro que logo no local, se a polícia desse as caras por lá (possibilidade remota), ia sobrar cassetetes até pro vizinho que acordou pra ver a briga. Depois se acontecesse de algum brigão ser preso (possibilidade remota), ele ia tomar mais uns cascudos da polícia, ouvir uns comentários do tipo “playboy”, “hoje você vai virar donzela da cela” e por ai vai e iria pra delegacia algemado.
Ao chegar à DP, uma ligação para seu pai seria feita. Dependendo de como o pai do camarada fosse, ele poderia ir lá, livrá-lo da cana, passar-lhe um sermão e pronto. Ou poderia apelar aos direitos humanos, dizer que seu filho não é marginal pra ser algemado, que a polícia é autoritária no Brasil, que são todos uns corruptos e tal. O fato é que o valente seria solto e provavelmente brigaria de novo algum tempo depois.
Se algum inquérito fosse aberto, seria logo fechado. Ninguém iria apurar o que aconteceu e nenhum responsável sofreria sanção alguma.
É óbvio que o Brasil tem problemas bem maiores e colocar cada um que briga na cadeia seria uma coisa muito complicada, mesmo que só por uma noite. Porém, não fazer nada com eles, ou dar mais porrada e mandá-los pra casa, só faz piorar os problemas. Talvez se houvesse um julgamento rápido, como o tribunal de pequenas causas e penas pequenas mas importantes fossem dadas (como prestar serviços comunitários em hospitais ou bairros pobres), a situação melhorasse.
Enfim, brigas acontecem em todo lugar. Claro que em alguns lugares, menos do que em outros, mas alguém sempre perde a cabeça de vez em quando. Como lidar com elas é que é a questão. Nessa, a Suécia dá um baile no Brasil.
Ah, essas tirinhas são ótimas! Em resposta ao post do peguete sobre outliers:
A prova que o importante é ser feliz… (e pra quem mora em betim/contagem o importante é ter saúde)

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A seguir a reportagem da Folha. Depois eu comento.
03/09/2009 – 14h37
Governo chinês libera campeão mundial de tênis de mesa para namorar
da Lancepress
O governo chinês decidiu permitir que o atual campeão mundial de tênis de mesa, Wang Hao, 25, namore Peng Luyang, sua ex-companheira de equipe. Até então, o atleta era proibido de ter um relacionamento deste tipo com qualquer pessoa.
A informação foi dada pelo jornal estatal do país, que publicou também uma declaração do técnico de Peng, Qiao Yunping. Segundo ele “os dois já têm idade o suficiente, e isso é normal”.
O controle restrito da vida pessoal dos atletas é um procedimento comum no sistema estatal de esportes da China, em que os esportistas começam desde cedo a treinar em escolas especializadas espalhadas por todo o país visando se tornarem medalhistas olímpicos.
Essas escolas fornecem treinos intensivos de diversas modalidades, além de comida, roupas e abrigo gratuitos.
Sob o olhar atento dos oficiais, atletas de alto nível são proibidos de namorarem ou casarem até certa idade. O acordo é endossado por contratos.
Atletas que namoram sem permissão correm o risco de serem punidos. Em 2004, Wang começou a namorar uma colega de equipe, Fan Ying. Os oficias descobriram e expulsaram a atleta da equipe chinesa.
De acordo com a imprensa local, Wang só não foi punido porque sua posição no ranking mundial era muito superior a de Fan.
Link da reportagem_____________________________________________________________________________________
Impressionante, não? O controle estatal comunista chega a pontos inimagináveis pra qualquer pessoa de fora.
O sujeito só pode namorar se o governo permite? Ô loco.
Para aqueles que acham isso o fim, leiam “1984”. George Orwell previu tudo isso. Na verdade, previu não é correto. Ele apenas descreveu o que se passava e ainda se passa, nos governos comunistas do mundo.
Isso que outro dia, lendo discussões em comunidades de esquerda do Orkut me deparo com a frase: “1984 é uma merda, não serve nem pra livro de banheiro”. Santa ignorância. O sacana que escreveu isso deveria ir pra China pedir autorização do governo pra namorar.
Pra quem tava com saudade das minhas tirinhas, apareceu uma aqui protagonizada pelo Juan!

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Há algumas noites fui encontrar um amigo peruano na saída de uma festa. Estava esperando por ele na porta, quando um sujeito de ascendência árabe começa a conversar comigo do nada, falando em sueco. Não entendi exatamente o que ele disse, então ele falou em inglês, um papo de bêbado querendo amizade, mas esquisito. Como eu não estava na mesma vibe e o cara já encostou em mim, eu saí andando e o ouvi me xingar em sueco e dizer em inglês pra sair do país dele.
Normalmente eu ficaria puto, primeiro porque o país não é dele, depois porque eu estava na paz, quando ele veio me incomodar, mas este dia não. Continuei andando e nem olhei para trás, como se nada tivesse acontecido, pra que o cara não viesse tirar satisfação.
O problema começou quando meu amigo saiu da festa. Como ele adora falar que briga bem e que já fez 131908 anos de luta (será que isso não lembra certos gêmeos?), juntou-se a fome à vontade de comer. Foi o árabe chegar perto e falar alguma coisa, que puseram-se num empurra-empurra.
Como um ataque de abelhas, mais uns 15 árabes chegaram não sei de onde e um deles, mais esquentado, deu um murro na boca do peruano. Nessa hora os nervos de todos explodem, mas por causa do número de árabes brigões, eu fui separar a confusão, não iria brigar de qualquer maneira. Tomando empurrões, eu e mais alguns amigos do peruano, entramos no meio da briga e fomos conversar com os manos.
O cara me disse que meu amigo é que o havia xingado primeiro e ele apenas reagiu – convenhamos, como um animal – dando o murro. Disse também que não queria mais briga, mas que ele e seus amigos eram uma gangue de 200 pessoas (falou esse número mesmo!) e, em tom de ameaça, que se eles apanhassem no dia, voltariam com o resto pra, digamos, acertar as contas. Ou seja, não quero briga, mas estou muito afim que vocês queiram pra eu poder brigar.
Aí eu pensei com meus botões: “porra, as famílias dos caras vêm pra Suécia, eles têm tudo do bom e do melhor (educação, saúde, outros auxílios financeiros, etc) e ainda formam gangues pra bater nos outros estrangeiros, que como eles, estão aproveitando”.
Não que eles tenham alguma dívida com a Suécia, apesar de que se pode pensar assim, mas ser xenófobo num país que te recebeu e que te deu a cidadania é dureza. Realmente não dá pra entender.
Conseguimos separá-los e não houve mais briga. Mas claro que depois dos murros, os xingamentos continuaram de ambas as partes e o peruano que apanhou falou que todo árabe é terrorista e que esses caras fodem a reputação de todos os imigrantes honestos e pacíficos. Opinião (apenas a segunda, claro) que eu compartilho.
A polícia foi chamada e dois dos manos foram presos e passaram a noite na cadeia e o peruano fez questão de dar o depoimento e fazer o equivalente ao B.O.. Eles devem ser processados, não sei ao certo.
Não quero tirar a culpa de ninguém, o peruano talvez merecesse apanhar mesmo. Contudo, os caras foram lá brigar, se não, um deles não teria me xingado e me mandado de volta pro meu país só porque eu não quis conversar com ele.
O fato é, que a partir de então eu comecei a me preocupar com isso. Várias vezes vi árabes nas ruas e nada me tirava o sossego, agora não mais. A briga e, principalmente, o que o sujeito me disse, me deixaram com medo.
Não pretendo com isso, dizer que árabes são assim ou assado, só que, somos responsáveis por aquilo que representamos. No caso, uma etnia. Sei que é preconceito e estou julgando todos por uma situação envolvendo 15, mas, se o que o cara disse for verdade, há mais uns 150 árabes na gangue, prontos pra brigar com outros estrangeiros.
Atendendo a pedidos, muitos, para aparecer por aqui, venho através das bandas siderais e vibrações intergaláticas (exclusividade dos seres abduzidos, é claro) tratar de um assunto bem contemporâneo do nosso mundinho mesmo. O Jazz.
Muitas pessoas fecham mente, alma e coração quando o assunto é esse. Lançam mão de preconceitos caducos, dão justificativas quadradas ou até mesmo partem para a intolerância explícita – não quero, não gosto. Bem, longe de querer julgá-las, na verdade até as compreendo, e bem. Compreendo que nem todas as pessoas gostarão do Jazz, e que muitas não serão por ele tocadas a ponto de gostar. Mas que seja feita pelo menos a tentativa. Tudo merece uma chance. Aos que não concordarem, devo dizer que são eles mesmo que saem perdendo, e muito, nesse provincianismo musical.
Dentre os argumentos mais comuns contrários, cito alguns. É música confusa. São coisas demais ao mesmo tempo. É difícil de entender. É difícil de acompanhar. É muito desordenado. Não tem lógica, não tem sequência, não tem harmonia. É irritante. É barulhento.
A meu ver, o que realmente ocorre é que o Jazz nunca foi realmente difundido. Muitas pessoas realmente não conseguem entender e acompanhar o estilo musical – que é altamente imprevisível – e, assim, não conseguem apreciá-lo como ele de fato é. E apreciar o Jazz é algo que, normalmente, se aprende aos poucos. Mesmo os indivíduos que são completamente arrematados, em uma espécie de amor à primeira nota, como eu, em geral levam tempo para conseguirem sentir o verdadeiro Jazz que há no Jazz. Para sentir a liberdade se materializar em som, o espírito vibrar, a alma dançar, o coração sincopar.
Jazz é liberdade porque foge da padronização. Porque é essencialmente composto de improvisações. Logo, é espontaneidade bruta, lapidada em notas e tons pelos saxofones altos, baixos, barítonos, pelos pianos de todas as cores, pelas cordas de diversos tamanhos, pelos sopros, pelos trompetes, pelos trombones e, acima de tudo, pela criatividade aguçadíssima feita em arte. É indefinível. É, muitas vezes, uma coisa diferente para cada pessoa. É, outras tantas, universal.
Além de tudo, Jazz é paz e união, sincretismo musical de diferentes culturas, diferentes cores, diferentes raças. Para mim, se fosse pedido um ideal em forma musical, eu responderia Jazz sem hesitar. É ideal de fraternidade, liberdade e paz. E, o que o torna ainda mais bonito, reflete a doce espontaneidade da vida. É isso que eu sinto quando escuto um Miles Davis, um John Coltrane ou um Dave Brubeck fazendo a sua mágica. E sentir é uma forma de interagir com o mundo. E imaginar o mundo. E a arte não é uma das formas de compartilhar os nosso ideais, de expressar o que sentimos, o que sonhamos?
Bem, falando nisso tudo, estive no Jazz Festival Brasil na semana passada, acompanhado dos meus grandes amigos Rodrigo e Leonardo (fica aqui um abraço para eles). E foi fantástico. Assistimos Bob Wilber em parceria com Dany Doriz e banda, que foram ao Jô Soares no dia 25/08:
Eles tocam muito. Muito mesmo. Demais! Aqui dá para entender melhor o que eu estou falando:
É, o Jazz está começando a se popularizar. O Jazz Festival Brasil foi um bom exemplo disso, trouxe grandes artistas, música de altíssima qualidade, abriu as portas para o público, não foi caro demais, teve boa repercussão. Alguns estabelecimentos já têm eventos frequentes com bandas locais. Tem o Festival Tudo é Jazz em Ouro Preto – não que tudo seja Jazz, falácia que se mostra cada vez mais comum – que este ano é de graça, pelo que estou sabendo. Tem outras. Mas acho que ainda falta muito para ele ser considerado, de fato, popular. O que seria muito bom para os seus amantes, já que significaria, por exemplo, maiores possibilidades de ocorrerem bons eventos envolvendo o estilo musical. E também seria muito bom para os novos apreciadores, a quem seria dado contemplar mais uma das belas facetas da vida, na forma de arte, na forma de música. Mas isso eles só saberiam depois de gostarem. O que eles só poderiam depois de tentarem. No mínimo, vale à pena tentar.
Por fim, para aqueles que se interessarem em entender melhor como o Jazz funciona, fica aqui uma boa referência: Como Funciona o Jazz.
Atualizado em 01/09/2009 às 14h27:
Como o Rodrigo fez um belo comentário, que amplia as idéias do post e acrescenta algo indispensável ao tema (música), aqui está ele:
Mas deixando a bobeira de lado…Muito bom o post! Escreveu muito bem sobre essa coisa pouco definível que é o jazz…e acrescento que pra mim não so o jazz como as mais variadas formas de música, apesar de terem suas nuances e peculiaridades, transmitem esse sentimento amplo, essa alegria, essa materialização da liberdade. A música é infinita e explorá-la é um dos maiores prazeres que eu conheço.
Lendo o último post do Peguete, onde já fiz meus comentários, me lembrei de uma conversa com uma professora minha, na qual ela propôs algo que eu nunca havia escutado e achei bastante interessante. Imaginem se todo o sistema judiciário, com também o sistema de fiscalização, Tribunal de Contas, Ministério Público, as agencias reguladoras, dentre outros órgãos, deixassem de serem órgãos públicos. Se fossem, por exemplo, organizações privadas, com funcionários privados, contratados por mérito, dos quais se cobrassem resultados práticos, adotando o sistema de metas e resultados já utilizado em várias empresas. Tudo bem que a jurisdição está na constituição como de monopólio do estado, mas porque deve ser assim? Nunca lhes pareceu algo controverso, que o próprio estado crie e mantenha, dentro de sua estrutura, órgãos que o fiscalizem. Imaginem por exemplo, se o governo contrata-se uma grande empresa de auditoria, para fazer o trabalho de fiscalização da Receita Federal, não seria mais eficiente e isento. Toda essa reforma no nosso sistema, também o tornaria mais barato, pois haveria uma racionalização dos custos com uma evidente otimização dos resultados. Em minha opinião, o sistema idealizado por Montesquieu, conhecido como sistema tripartíde de poderes, ou sistema de freios e contrapesos, onde um dos poderes fiscalizaria o outro, realmente está falido. Digo isso, pois cada vez mais vejo que na verdade quem manda não é a ética ou profissionalismo, mas sim a grana. Quem sustenta esses órgãos é o governo e este exerce total influência sobre seus comandantes, ameaçando o corte de verbas dentro outras censuras, caso não seja feita uma ou outra concessão aos “amigos do poder”. Agora, aí me perguntam se esse sistema de privatização de certos órgãos não cairia na mesma, eu acredito que não. E acredito nisso, pois a partir do momento que se definisse que, por exemplo, a empresa, fundação, ou associação X, ficaria com a responsabilidade de administrar e controlar o poder judiciário do estado de Minas Gerais e que tal contrato seria por um período de tempo Y, sendo pago por esse serviço um valor Z, ou seja, estabelecendo critérios e parâmetros, a coisa funcionaria com muito mais isenção e eficiência. Quando minha professora disse isso, alguns alunos da sala acharam um absurdo, outros começaram a rir e outros a chamaram de Neoliberal Xiita, mas eu não acho tão absurdo assim, acho até uma idéia bastante plausível que deveria ser mais discutida e estuda, para quem sabe algum dia, poder ser implementada. Acredito também que na própria discussão do tema, poderia a curto prazo surgirem algumas pequenas reformas, implantando-se alguns métodos empresarias já consagrados. Bem, deixo para vocês a idéia e gostaria de saber suas opiniões. Da minha parte, me proponho a tentar desenvolver mais essa idéia, ou seja, levantar a discussão sobre o assunto nos meios acadêmicos e profissionais que eu convivo. Acho que vocês poderiam fazer isso também, trazendo suas contribuições.
Hoje estava pensando em escrever um texto mais leve, a exemplo do último, que atraiu mais comentários do que o normal. Mas a situação é um tanto quanto curiosa. E como nem todos os amigos do Juan são assíduos leitores e telespectadores de jornal, é importante informá-los.
Para aqueles que realmente não têm se informado, Lina Vieira, ex secretária da receita federal disse que teve um encontro com Dilma Roussef e que ela mandou que se agilizasse as investigações contra o filho de José Sarney que a receita estava fazendo (vá lá, Dilma não é, nem nunca foi superiora de Lina e não poderia mandar nada na receita federal, ainda mais quando incluía Sarney, aliado do governo, porque se pode agilizar pra aliados pode também retardar para adversários ou fazer o diabo a quatro).
Lina entendeu que agilizar significou encerrar, mas achou que aquilo foi apenas uma sugestão, ou sei lá o que. O fato é que depois que Lina disse em entrevista à Folha de S. Paulo que houve o encontro, Dilma, de maneira muito veemente, negou.
O problema está exatamente aí. Dilma não precisava ter negado o encontro, se falasse que tinha acontecido e que agilizar significou dar mais presteza, tudo estaria bem. Mas com a negativa e a posterior reconfirmação de Lina, uma bola de neve começou a se formar.
Foi a assessora de Lina que confirmou que houve conversas da assessora de Dilma para que uma reunião fosse marcada, o ex motorista da receita, disse também que levou Lina ao Planalto nas datas ditas pela ex-secretária e por ai vai. Sempre com Dilma negando e dizendo que alguém tem que comprovar, tentando mesmo descaracterizar Lina e mostrar pouca importância no fato, dizendo que era palavra contra palavra.
Querendo mostrar que era possível comprovar ou não o fato, a oposição – DEM, PSDB, PSOL – pediu então que os arquivos da segurança do Planalto fossem abertos para que se pudesse ver as placas dos carros que entraram no lugar e as imagens do circuito interno de TV. O chefe da segurança do governo disse então que não era possível, pois as imagens seriam apagadas (!!!!!!) depois de 30 dias e as placas oficiais não seriam nem anotadas (!!!!!).
Se trata da segurança do homem público mais importante do Brasil e as placas oficiais não são nem anotadas. Imaginem a quantidade de placas oficiais que existem…, nos outros governos estaduais de São Paulo e Minas, por exemplo, todas as placas são anotadas e guardadas por bem mais tempo. Enfim, todos acharam o fato muito estranho e a imprensa está em cima, tentando esclarecê-lo.
Assim, em reportagem do jornal nacional de ontem, foi lido no edital de compra do sistema de segurança do Palácio do Planalto que o sistema tem que armazenar as imagens por SEIS MESES e que depois desse período devem ir para um back up. Portanto, a não ser que nem os editais do próprio governo sejam mais respeitados pelo governo (????), tem gente mentindo no movi!
Claro que o governo agora vai tentar negar de todas as formas, não é… por mais incrível que possa parecer, já disseram “os dados ficam armazenados por 6 meses, mas as imagens apenas por 30 dias.” Eu fico me perguntando o que seriam “os dados” de um circuito interno de TV, será que não são imagens?
No avião tem-se muito tempo, especialmente em vôos mais longos. Pode-se por a leitura em dia, assistir a diversos filmes que a própria companhia aérea dispõe e mais tantos outros no notebook, dormir e por ai vai.
Tive sorte dessa vez. Ganhei um livro no mesmo dia que ia viajar de avião em dois vôos bem longos. O livro se chama “Outliers”, ou “Fora de Série”, em português e foi escrito por Malcolm Gladwell, que é jornalista, por isso assina uma coluna no New York Times e já trabalhou no Washington Post.
Em uma entrevista Gladwell se definiu como uma pessoa que trabalha como uma antena que recebe os sinais da academia e os repassa para o público. Assim como em outros livros, em “Outliers” o autor se baseia em vários estudos de grandes universidades, relacionando-os a casos muito conhecidos do público.
A principal tese do autor é – já muito batida por livros de autoajuda – de que não basta apenas ser talentoso, nem ter uma grande oportunidade, nem trabalhar muito, é preciso que tudo esteja junto. A pessoa de sucesso extremo seria aquela que tiver em seu passado, tudo o que seria necessário para alcançar o êxito máximo. Porém, o autor a define , traduz quais são as características necessárias para se tornar outlier, ou pelo menos as que foram necessárias para que grandes nomes se tornassem. Sempre se referindo às vicissitudes culturais/do ambiente que foram imprescidíveis aos realmente ótimos.
Então, crianças negras, brancas, ricas, pobres, etc, tem, em geral, a mesma capacidade, porém, por serem moldadas pelo ambiente de forma diferente, acabam por obter resultados muito diferentes em testes de inteligência e provas para ingressar nas universidades.
É um certo Darwinismo social/pessoal, em que o ambiente vai selecionando aqueles que se adaptam melhor e os outliers realmente foram selecionados, tendo todas as características para serem os mais eficientes no que fazem. Claro que é bem mais elaborado do que isso.
Deste modo, Bill Gates, Mozart e os Beatles têm muito em comum. Todos atingiram o sucesso imenso, marcaram uma geração e, provavelmente, jamais terão seus nomes apagados da história, mas isso só aconteceu, porque todos eles trabalharam 10 mil horas durante suas vidas até se tornarem bons. O número de 10 mil horas seria mágico, tanto que todos os ótimos em qualquer área do conhecimento ou atividade física só conseguiriam se tornar o que são com todo esse tempo de trabalho.
A teoria vale também para o fracasso, ou seja, o ambiente modela o fracasso. Por isso, desastres de avião acontecem mais em companhias aéreas de países em que o poder é muito distante das pessoas, ou seja, o copiloto respeita muito o piloto e não tem coragem, por razões culturais de contrariá-lo, mesmo sabendo que está errado. Nesse caso, só com muito mais trabalho (10 mil horas, talvez?), o legado ambiental seria diminuido e desastres de avião, evitados.
Agora, voltando aos outliers amigos do Juan e analisando-os de acordo com o livro: Mateus e Gabriel Andantes são tão sinistros empresários aos 23 anos porque tiveram toda uma infância e adolescência que os levou a ter o tino para negócios que têm, com claro, 10 mil horas de trabalho no computador para que desenvolvessem o programa para monitorar as ações na bolsa.
Juan se dá tão bem com os estudos porque desde a infância foi classificado como bom aluno, provavelmente porque era mesmo, isso o levou a ser mais próximo dos professores, que davam mais atenção a ele do que aos outros, o que só fez melhorar seu desempenho acadêmico. Depois das 10 mil horas de estudo, tudo o que o garoto pega pra estudar é aprendido com maior facilidade do que por outras pessoas.
Para o resto, comigo incluído, não consigo pensar em nenhuma atividade que tenha sido realizada por 10 mil horas. Talvez eu tenha nadado por todo esse tempo, mas nem de longe sou um outlier. Contudo, não podemos nos abalar, com 3 amigos assim no grupo, podemos pegar carona no seu sucesso…
No mais, espero que nós, os amigos do Juan comuns, possamos viajar muito de avião para que nos dediquemos por 10 mil horas a alguma atividade e quem sabe então…