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Ensaio sobre as três peneiras de Aristóteles (ou Sócrates?)

15 15Etc/GMT+3 outubro 15Etc/GMT+3 2009 por Inimigo do Ritmo

Lembro da D. Gemma nas aulas de Desenvolvimento Humano (algo como aula de religião em uma escola laica) do Sebrae contando a estória das três peneiras de Aristóteles. Achei a estória interessante na época e também nunca vou esquecer de alguém (acho que o Leandro) falando que as peneiras da Lorena “pareciam bambolês”. Pesquisei recentemente na internet e achei N versões da história por ai, copio uma abaixo, onde trocaram o protagonista por Sócrates:

Augustus procurou Sócrates e disse-lhe:
- Sócrates, preciso contar-lhe sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de…
Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:
- Espere um pouco Augustus. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras?
- Sim, A primeira, Augustus, é a da VERDADE. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?
- Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!
- Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a BONDADE. O que vai me contar gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
- Não, Sócrates! Absolutamente, não!
- Então suas palavras vazaram também a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a NECESSIDADE. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?
- Não, Sócrates… Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.
E Sócrates conclui:
- Se passar pelas peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia(ninguém aqui gosta disso…) entre irmãos.

Pôoooo Sócrates, cadê a diversão? Mas a estória é bacaninha. Não consegui achar a origem, nem confirmar se isso foi realmente criado por um filósofo famoso. Acho que é historinha da cultura popular mesmo, coisa de corrente de e-mail… Caso alguém ache avise que eu faço um update.

Agora proponho pararmos parar pra pensar no tanto de merda que falamos. Qual das suas três peneiras é a mais estragada? Para causar polêmica/discussão coloco aqui minhas opiniões sobre as peneiras dos AmigosDoJuan, citando a que eu acho ser a mais prejudicada de cada um.

  • Mr. Abduzido: NECESSIDADE. Totalmente desnecessário dizer algumas coisas como:  “Juan, a pessoa X também me falou mal de você, mas não vou contar o que foi não.”
  • O coleguinha que nunca tomou toco na vida: NECESSIDADE também,apesar de ter, em geral, as peneiras em bom estado, este coleguinha muitas vezes é uma fonte de espalhamento de notícas e segredos.
  • Pegadinha: NECESSIDADE, assim como eu perde o amigo mas não perde a piada.
  • Peguete: Acho que o Mick tem as melhores peneiras da galera. Se fosse pra eleger uma seeria a NECESSIDADE também, acho, mas não de uma maneira ruim. Idem o Pegadinha.
  • Só Vim pra Dançar: Nem tenho como opinar. As peneiras dele costumam ser boas.
  • Frotinha: me recuso a ter de dizer, quem não souber vai pro hospício.
  • Shakira: NECESSIDADE, fácil. Desde quando é necessário falar que tal ou tal cara é gatinho?
  • Zé Bonitim: Tem boas peneiras também. Vou falar NECESSIDADE somente pelo seguinte: precisa mesmo repetir 3 vezes o mesmo caso? Beleza que as vezes repete só o final, mas…
  • Domingos: VERDADE. Muitas vezes exagerado e bom em contar casos que começam com “vocês vão achar que eu to falando mentira mas escuta só…”.
  • Eu: Aredito que NECESSIDADE, garantido. Sendo mais bobo que a média minhas peneiras falham no sentido de “perco o amigo mas não perco a piada”. E cada vez mais o estresse e a falta de paciência as vezes furam a da BONDADE também.

Só deixar bem claro que, se a peneira de todos fosse perfeita, a vida seria bem menos divertida. Pretendo preocupar-me pouco com as minhas. E o fato da peneira da NECESSIDADE ser, na minha opinião, falha comum da galera, só nos torna mais divertidos.

Uma coleção de peneiras da verdade do Sr. Frotinha.

Uma coleção de peneiras da verdade do Sr. Frotinha.

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Menos Televisão e Mais Platão

27 27Etc/GMT+3 novembro 27Etc/GMT+3 2008 por Shakira

Este semestre estou cursando a cadeira de Introdução a Filosofia da Ciência junto ao primeiro período de Comunicação. É uma experiência interessante assistir uma aula no 8º período com uma turma de calouros. Especialmente neste caso, quando a aula é de filosofia e o curso está longe de ser um curso científico ou guiado pela ética (como no caso de direito). Acho que é justamente da “irrelevância” da filosofia para o curso que surgiu a seguinte indagação de um dos alunos: “Ô fessor, qual é a utilidade da filosofia? Tipo assim, engenharia serve pra construir as coisas, né? Comunicação pra fazer propaganda e tals.. E filosofia? Pra quê que serve?”

É claro que eu já pensei assim também. Sempre fui mais inclinado pra área de exatas. Gostava também de história e acabei escolhendo Ciências Econômicas por causa disso. No ensino médio, não gostava muito de filosofia. Achava uma viagem sem sentido. É exatamente pra despertar o interesse dos meus amigos em relação ao assunto, que queria dar a resposta de dois filósofos contemporâneos a esta questão colocada por meu colega, e também por muitos de nós. Qual seria, afinal, a utilidade da Filosofia?

Marilena Chauí escreve em seu livro de introdução a filosofia: “Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes”.

Já Luc Ferry, um dos maiores filósofos vivos, ex-ministro da educação da França, e um eterno defensor da busca pela salvação filosófica, afirma no prólogo de seu livro Aprender a Viver: “(…) adquiri, ao longo dos anos a convicção de que para todo indivíduo (…) é valioso estudar ao menos um pouco de filosofia” uma vez que “(…) sem ela, nada podemos compreender do mundo”. Afinal todas as opções de idéias “foram inicialmente construções metafísicas antes de se tornarem opiniões oferecidas como que num mercado. Estudá-las em seu melhor nível, captar-lhes as fontes profundas é se oferecer os meios de ser não apenas mais inteligente, mas mais livre”.

Então, meu caro futuro jornalista, se você pretende ser livre de verdade, ou seja, escolher pela sua própria razão em qual teoria científica acreditar, decidir se para você Deus existe ou não (ou até mesmo se essa questão é relevante), eleger por conta própria quais máximas da moral vigente em nossa sociedade seguir ou não, então sugiro que abra o livro daquela matéria “inútil” que você manteve fechado durante tanto tempo.

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