Doutor, me Explica?

Artrite reumatóide: Parte 1

Publicado em 08/02/2010 por Maria Eduarda Bécho Freitas Arger

Artrite reumatóide - Parte 1

O que é a artrite reumatóide?

A artrite reumatóide é uma doença auto-imune de causa desconhecida, debilitante, que afeta as articulações, os tecidos em volta das articulações e os tendões, provocando dores e inflamações freqüentes de várias juntas. Com o desenvolvimento da doença, ocorre a erosão das cartilagens e dos ossos das articulações acometidas, o que causa deformidades e destruição das articulações. A artrite reumatóide pode também atingir muitos órgãos internos, e nesses casos a doença é geralmente mais grave. O curso da doença dura de semanas a meses de desconforto até anos de profunda incapacidade.

A artrite reumatóide é uma das doenças reumáticas mais freqüentes, que pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais comum entre os 30 e 50 anos, e mais freqüente no sexo feminino. Para aproximadamente 3 mulheres com artrite reumatóide, há 1 homem com a doença.

E como o paciente chega ao consultório médico?

Na maior parte das vezes os pacientes chegam à consulta com queixas de dor nos dedos das mãos, punhos, cotovelos, ombros e joelhos, e mais raramente, com dores nas articulações dos pés. Essa dor geralmente ocorre nos dois lados do corpo, tanto do lado direito, como do lado esquerdo.
Os sintomas mais comuns são os clássicos da artrite: dor, calor, vermelhidão e inchaço das articulações. Os pacientes comumente queixam-se de rigidez matinal, cansaço e perda de peso.

Artrite reumatóide - Parte 1Na maior parte dos casos a doença instala-se de maneira insidiosa e progressiva, sendo necessários semanas a meses até a doença “mostrar a sua cara” completamente. Os sintomas iniciais variam muito de paciente para paciente: em alguns é indisposição, cansaço, mal-estar, febre baixa ou dores nos músculos e/ou ossos, antes de terem dores e rigidez nas juntas. Já em outros pacientes, os sintomas nas articulações surgem primeiro, com dores de ambos os lados, inchaço das articulações e rigidez articular.  A dor costuma ser pior pela manhã e à noite.

Em 15 a 30 % dos pacientes a doença se manifesta de uma hora pra outra, ou em um curto intervalo de tempo. Nestes casos dizemos que o início da doença se faz de forma aguda ou subaguda, e os sintomas clássicos da doença aparecem num período de poucos dias a algumas semanas. Nestes casos também pode ocorrer dores no corpo, cansaço, febre baixa, emagrecimento, depressão e redução do apetite.

A artrite reumatóide possui outros 2 padrões de manifestação mais raros, que são a doença de Still do adulto e o padrão palindrômico de início dos sintomas. Não iremos entrar em detalhes a respeito dessas 2 formas, caso você tenha interesse em saber sobre elas, contacte-nos.

As articulações mais envolvidas no início da artrite reumatóide são os punhos e as mãos, podendo abranger também ombros, joelhos e pés. A coluna cervical (região do pescoço) está frequentemente envolvida, e em menor escala a coluna lombar e dorsal. É importante lembrar que apesar das localizações mais comuns citadas anteriormente, a artrite reumatóide pode atingir qualquer articulação do corpo.

Embora a dor acometa várias articulações, geralmente algumas articulações ficam mais inflamadas do que outras, ou seja, mais doloridas, mais inchadas e quentes do que de outras articulações do paciente.

Artrite reumatóide - Parte 1

E o que é a rigidez matinal que ocorre na artrite reumatóide?

É uma sensação de que a “mão está dura e rígida” quando a pessoa acorda pela manhã. Essa rigidez também ocorre após períodos de imobilização prolongada. Via de regra, quanto maior a rigidez matinal, maior a atividade da doença. Nos pacientes com artrite reumatóide, a rigidez matinal pode permanecer por várias horas depois que a pessoa acorda. Essa rigidez matinal, assim como as dores, tendem a diminuir com o diagnóstico correto e início do tratamento.

O que causa a artrite reumatóide? Ela é hereditária?

Artrite reumatóide - Parte 1Como explicamos, a artrite reumatóide é uma doença crônica na qual há inflamações importantes das articulações desencadeadas pelo nosso sistema imunológico. Embora não saibamos ainda a causa exata da artrite reumatóide, acredita-se que há vários fatores envolvidos na patogênese da doença, o que engloba fatores genéticos, hormonais e ambientais. Não podemos dizer que ela é uma doença hereditária no sentido de que ela não passa diretamente de pais para filhos, entretanto a pessoa pode herdar uma tendência genética a ter artrite reumatóide. Em uma família que existam genes que abrigam essa tendência a ter artrite reumatóide, em algumas pessoas esses genes nunca se manifestam, enquanto que em outras a doença se desenvolve. Além disso, não é um único gene envolvido na “tendência” a ter artrite reumatóide, são vários, motivo pelo qual podemos dizer que a herança genética da artrite reumatóide é poligênica.

E o que determina, numa família que tenha “tendência” a ter artrite reumatóide, que um familiar desenvolva a doença e outro não?

Dizemos que há alguns fatores desencadeantes e mantenedores do processo de doença. Isso significa que as pessoas geneticamente predispostas a ter a doença podem desenvolvê-la caso tenham infecções, outras doenças ou desequilíbrios psicológicos, por exemplo.  Alguns vírus e bactérias causadores de infecções como o vírus Epstein-Barr, micoplasma, parvovírus e Mycobacterium podem ser o “gatilho” para a doença se desenvolver.

Além disso, é muito importante sabermos que o tabagismo (isso mesmo, fumar) é considerado um fator de risco importante, relacionado não só ao aparecimento da doença nas pessoas geneticamente predispostas e à sua gravidade. Pessoas que fumam e sejam geneticamente predispostas possuem maiores chances de desenvolver a artrite reumatóide.

Quais são as outras manifestações clínicas da artrite reumatóide?

Como já falamos anteriormente, o principal sintoma da artrite reumatóide é a dor nas juntas, que geralmente começa em uma ou duas articulações e se espalha para outras articulações do corpo. As juntas ficam vermelhas, inchadas, doloridas e quentes. Há uma rigidez matinal dos dedos das mãos, e a dor costuma ser pior pela manhã e à noite.

A intensidade da dor depende da fase em que se encontra a doença, das características psicológicas do paciente, da gravidade do acometidmento das articulações  e da presença ou ausência de instabilidades articulares e deformidades. Em alguns pacientes a dor é moderada e permite a execução normal das atividades diárias, em outros a dor é tão intensa que impede a execução das atividades cotidianas.

A inflamação da doença provoca um aumento da produção de líquido sinovial dentro da junta. O acúmulo deste líquido pode causar dificuldade de movimentos e aumento de dor. Em alguns casos é necessária a retirada de líquido sinovial através de punção realizada pelo médico, principalmente em joelhos.

As deformidades mais comuns causadas pela doença são:

  • Mãos em dorso de camelo
  • Dedos em fuso
  • Dedos em pescoço de cisne
  • Dedos em botoeira
  • Dedos em martelo

Artrite reumatóide - Parte 1

A artrite reumatóide pode causar deformidades também em cotovelos, ombros, pés, tornozelos e joelhos, alterando inclusive a marcha do paciente. Da mesma forma, pode alterar a coluna cervical (da região do pescoço) e das articulações reponsáveis pela mastigação.

A artrite reumatóide pode envolver outros órgãos e regiões do corpo, é o que chamamos de manifestações extra-articulares da doença. Sintomas como falta de apetite, ansiedade, dores no corpo, emagrecimento leve, “ínguas” e febre baixa são comuns. Além disso, pode haver alterações da pele, e aparecimento de nódulos subcutâneos, que são pequenos caroços debaixo da pele.

Podem haver ainda vasculites (quando há inflamações das paredes dos vasos sanguíneos), que podem causar desde pequenos pontos de hemorragia na pele até gangrena de dedos. Podem aparecer úlceras na pele. A artrite reumatóide pode acometer também os nervos periféricos.

Além disso, a doença pode atingir o coração, pulmões, intestino, rins, fígado, baço, pâncreas, testículos e linfonodos. Pode atingir também o sistema nervoso central. Os olhos também podem ser atingidos pela doença, sendo a ceratoconjuntivite seca a manifestação mais comum.

Alguns pacientes podem apresentam boca seca e olhos secos, o que traduz uma diminuição da produção de saliva e lágrima. É um quadro que chamamos  de “síndrome de Sjögren” e ocorre devido à inflamação das glândulas salivais e lacrimais.

No próximo artigo saiba como é feito o diagnóstico de artrite reumatóide e seu tratamento.

Referências

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Maria Eduarda Bécho Freitas Arger Maria Eduarda Bécho Freitas Arger
Acadêmica do Curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Clique aqui para ver o currículo Lattes

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9 Comentarios para Artrite reumatóide: Parte 1

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  1. Ane disse:
    10/02/2010 ás 22:11

    muito boa, parabéns

  2. maria fatima albuquerque disse:
    17/02/2010 ás 22:10

    adorei muito bom ,pois sou portadora de artrite reumadoide e essa materia me escrareceu muitas duvidas.parabens muito bem exsplicada.

  3. Maria Eduarda Bécho Freitas Arger disse:
    18/02/2010 ás 17:56

    Agradeço às leitoras Ane e Maria Fátima pelo prestígio ao nosso blog! Continuem nos visitando!
    Um grande abraço,

  4. Teresa Alves disse:
    20/03/2010 ás 16:16

    Procuro a descoberta de formulas terapêuticas inócuas. Mas essas tardam. Faço tratamento biológico há cerca de um ano e melhorei muitissimo.Não percebo porque tive de sofrer tanto até que me prescrevessem esta terapia, apesar de tanos riscos, tendo perdido muita elastecidade em diversas articulações… gostaria de não ter mêdos mas eles assaltam-me!

  5. Teresa Alves disse:
    20/03/2010 ás 16:19

    pode informar-me, na sua experiência clinica, qual o tratamento biogico imunosupressor mais eficaz e com menos efeitos secundários?

  6. Maria Eduarda Bécho Freitas Arger disse:
    05/04/2010 ás 23:40

    Prezada Tereza,
    ainda não me formei em Medicina, estou no último ano do curso, e com certeza um reumatologista poderá responder bem melhor a esta pergunta. Converse com um reumatologista a respeito!
    Um grande abraço, e fique tranquila!

  7. Talita disse:
    23/05/2010 ás 16:59

    O que é um padrão palindrômico ?

  8. ana maria de lima disse:
    27/06/2010 ás 23:01

    olha sou portadora de atrite reomatoide….queria saber porque minha doença não para de doer deito com dor e levando com dor ja viz varias coisa mais nada ta resolvendo ja não sei que faço mais obrigada

  9. Maria Eduarda Bécho Freitas Arger disse:
    04/07/2010 ás 15:38

    Prezada Ana Maria,
    você deve procurar seu médico reumatologista para que ele possa ajudá-la nessa queixa.
    Atenciosamente,

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