1- Mito ou verdade? “As formas graves da dengue só acometem as pessoas que possuem baixo poder aquisitivo.”
MITO. Em Recife, no ano de 2002, esse mito levou inclusive ao treinamento preferencial dos profissionais de saúde dos serviços públicos, deixando os profissionais de saúde do setor privado sem capacitação. Por este motivo, tivemos um grande número de óbitos em Recife em 2002, durante uma epidemia de dengue.
A dengue atinge pessoas de todas as classes sociais!
2- Mito ou verdade? “Não há tratamento para a dengue.”
MITO. De fato, não há um medicamento antiviral que seja capaz de agir especificamente contra o vírus da dengue ou reduzir a carga viral no sangue do paciente. Também não há nenhum remédio capaz de bloquear os mecanismos que levam ao choque e às hemorragias. Apesar disso, há uma boa notícia: o diagnóstico precoce da doença e seu conhecimento pelo médico permitem que o paciente seja classificado pelo médico de acordo com os seus sintomas e a fase da doença.
É também de extrema importância o reconhecimento precoce dos sinais de alarme e o início do tratamento adequado a tempo. Dessa forma, estamos prevenindo as complicações e a evolução desfavorável da doença, o que é, de certa forma, “tratar a dengue”.
3- Mito ou verdade? “Se eu já tive dengue, se for infectado novamente, terei dengue hemorrágica.”
MITO. Apenas uma parte das pessoas que são infectadas pela segunda vez apresentarão as formas graves da doença, como a febre hemorrágica da dengue e a síndrome de choque da dengue.
Vamos entender melhor…
Como explicado no artigo anterior sobre dengue (O que é a dengue?), há quatro sorotipos do vírus dengue, ou seja, a dengue pode ser causada por 4 tipos de vírus diferentes, e a transmissão do vírus ao homem ocorre através da picada da fêmea hematófaga do gênero Aedes, principalmente o Aedes aegypti.
Se a pessoa é infectada por um sorotipo, fica permanentemente imune contra a infecção pelo mesmo sorotipo. O curioso é que os mesmos anticorpos que impedem a reinfecção pelo sorotipo causador do primeiro episódio de dengue, facilitam uma nova infecção pelos outros sorotipos.
Assim, podemos dizer que uma pessoa que já teve dengue anteriormente possui mais chances de desenvolver um quadro de dengue hemorrágica ou síndrome do choque de dengue em um novo episódio da doença, mas isso não significa que necessariamente ela desenvolverá a dengue hemorrágica.
Então, o que determina se um paciente vai desenvolver um quadro grave de dengue (febre hemorrágica da dengue ou síndrome de choque da dengue)?
Uma conjunção de alguns fatores, que iremos descrever abaixo. Todos os fatores abaixo são fatores de risco. O que pode-se dizer é que uma pessoa com um ou mais fatores de risco apresenta maior probabilidade de desenvolver um quadro grave de dengue.
Fatores individuais de risco:
- Sexo feminino
- Idade < 15 anos
- Ser portador de doenças crônicas, como asma, diabetes, e hipertensão arterial sistêmica.
- Antígenos HLA
- Episódios prévios de dengue (ou seja, a pré-existência de anticorpos para a dengue)
- Resposta individual do paciente
Fatores epidemiológicos de risco:
- Elevada densidade de mosquitos do gênero Aedes na região onde a pessoa reside, estuda ou trabalha.
- População susceptível
- Intensa circulação do vírus.
Fatores relacionados ao vírus:
- Sorotipo
- Virulência da cepa infectante
4- Mito ou verdade? “A primeira infecção da dengue nunca é grave.”
MITO! Há, na literatura científica nacional e internacional, vários relatos de casos graves de dengue na primoinfecção. Inclusive, um paciente pode ter o quadro de febre hemorrágica da dengue e até mesmo a síndrome do choque de dengue sem nunca ter sido infectado antes.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Diretoria Técnica de Gestão. Dengue : diagnóstico e manejo clínico – Adulto e Criança / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Diretoria Técnica de Gestão. – 3. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2007. 28 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos) ISBN 978-85-334-1428-0, disponível em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manejo_clinico_dengue_3ed.pdf
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Vigilância em Saúde: Dengue, Esquistossomose, Hanseníase, Malária, Tracoma e Tuberculose / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção a Saúde, Departamento de Atenção Básica . – 2. ed. rev. – Brasília : Ministério da Saúde, 2008. 195 p.- (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 21), disponível em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/abcad21.pdf
- Brasil unido contra a dengue
- Dengue: decifra-me ou devoro-te
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Dengue : decifra-me ou devoro-te / – Brasília : Ministério da Saúde, 2007. CD-ROM
- Situação epidemiológica e manejo clínico
- Centro de informação em saúde para viajantes: Dengue
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